LÍRICOS OLHARES

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"À força de tanto ler e imaginar, fui me distanciando da realidade ao ponto de já não poder distinguir em que dimensão vivo" (Dom Quixote)

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“Seja qual for o país, capitalista ou socialista, o homem foi em todo o lado arrasado pela tecnologia, alienado do seu próprio trabalho, feito prisioneiro, forçado a um estado de estupidez.” (Simone de Beauvoir)





1 de dezembro de 2009

ROSA CÁLIDA (Cacau Loureiro)

Penso às vezes que minhas palavras
ficaram escassas, que se perderam
no vento os meus versos, no entanto,
sei que a poesia vibra ainda em minha
alma, ainda embala a minha vida.
Silenciei por alguns momentos,
em alguns períodos por me sentir vazia.
Talvez, repensando os meus princípios,
talvez, para tentar os recomeços.
E eu quero ainda a rosa da poesia
fremente, vermelha, demente, letal
como veneno em minhas veias; rubra
como o sangue de minhas linhas.
Eu quero ainda a rosa da poesia
retomada nos caminhos solitários
de minhas lágrimas, reverberada na
tonicidade de minhas rimas,
reconquistada no ritmo permanente
dos meus dias.
Seqüestraram-me a poesia por instantes,
a mesma que tracei no azul estonteante
de minha caneta... E que por isto o meu
céu azuláceo por onde voa a minha alegria
foi obliterado, trazendo-me o cinza das mágoas,
a tristeza.
Porém, a minha inspiração está intocada,
indomada, e assim permanece na minha via
poética; por mais que me calem, por mais
que me desfigurem ou desmontem minhas
alegorias de paz.
Eu quero ainda, e desejo mais a rosa
vertiginosa da poesia; mesmo calada,
muda... mas, não surda aos apelos do
mundo, às fronteiras intermináveis do
amor fecundo, aos gritos de uma alma
imaculada.
Eu busco, eu quero ainda a rosa
da poesia, transfigurada nas sujas ruas,
nos pés descalços dos meninos nus,
nos traços fortes de minha maturidade.
Eu busco, eu quero ainda, e muito mais
a rosa desesperançada da poesia; na
parede negra da política brasileira,
na superficialidade dos discursos
vãos, na mediocridade dos seres,
no anacronismo dos conceitos,
na parcialidade dos direitos,
na iniqüidade da justiça...
A rosa da poesia, eu ainda quero,
mesmo semimorta como os atuais sistemas,
assim desfalecida, cálida, mas, endêmica...
serena... forte e altiva a germinar
ainda nos lodaçais da vida.

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