SOBRE ESTE ESPAÇO

"Este espaço reúne textos escritos ao longo dos anos, todos datados conforme o tempo em que nasceram. Não foram revisitados para correções de sentido ou intenção, pois cada palavra guarda a atmosfera emocional, espiritual e humana do seu próprio momento. O que aqui se apresenta não é uma narrativa linear, tampouco uma versão definitiva de quem escreve. É um percurso. Um registro sensível de atravessamentos, amadurecimentos, silêncios, afetos e travessias. A escrita que habita este lugar nasce do encontro entre poesia, espiritualidade e experiência vivida. Não pretende ensinar, convencer ou explicar — apenas partilhar estados de consciência, imagens e sentimentos que pediram forma. Quem lê é convidado a caminhar sem pressa, respeitando o tempo dos textos e o seu próprio. Algumas palavras são sementes, outras são espelhos. Cada leitura encontrará o que estiver pronta para encontrar."

REFLEXÃO

"Ao permanecer, iluminei. Não para salvar, não para provar, não para ser menos. Iluminei para seguir inteira." Claudia Loureiro

15 dezembro, 2009

ENTENDENDO AS CRÍTICAS (Jordan Augusto)


"É incrível que, em pleno séc.XXI e com toda esta estufa do efeito globalização, o ser humano ainda não aprendeu a conviver com críticas e desgostos alheios. Toda e qualquer movimentação que reverbera no exterior de nosso habitat está sujeita a observações e críticas. É importante entendermos que ela faz parte de nossa busca pessoal tal qual é coadjuvante de nosso amadurecimento espiritual.

Muitas pessoas (± 70%) reagem às críticas sentindo-se terrivelmente mal. Então, elas tentam sair do buraco emocional que cavaram para si mesmas através da racionalização, tentando sentir-se novamente bem, tentando ser objetivas etc. Mas, como já estão se sentindo mal, em geral nenhuma dessas tentativas dá bons resultados. E, como a maior parte dos esforços é dirigida a reconquistar a sensação de bem-estar, deixam de fazer bom uso das informações úteis contidas na crítica. E, quando o fazem, é geralmente muito tempo depois. No extremo oposto, outras (± 20%) pessoas reagem às críticas simplesmente rejeitando-as. Elas se protegem contra a sensação de mal-estar, mas com isso deixam de levar em consideração se há algo de útil ou válido na crítica que receberam. Um terceiro grupo (± 10%) pode receber críticas sem sentir mal. Também conseguem refletir se a crítica contém algum tipo de informação útil e usá-lo para modificar seu comportamento.

Evidentemente, os três grupos não são categorias rígidas. É possível que uma mesma pessoa possa encontrar exemplos de cada um desses padrões nela mesma, dependendo do seu estado de espírito, do contexto, de quem fez a crítica, da estrutura da crítica etc. A maioria das pessoas às vezes sente-se mal e reage de maneira desagradável ao comentário mais inocente. Outras vezes, as pessoas se sentem tão bem, que por mais que a crítica seja mordaz, conseguirão processá-la como simples informação.

Embora poucas pessoas se queixem, muita gente é tão vulnerável ao elogio quanto à crítica. Há pessoas que enchem os outros de cumprimentos apenas para se aproveitar ou evitar que eles notem problemas de comportamento que precisam ser corrigidos. Se não avaliarmos cuidadosamente os elogios que recebemos, podemos passar a acreditar em coisas que não são verdadeiras. As pessoas sensíveis a bajulações são menos receptivas ao feedback externo, e quando isso não pode mais ser evitado, a decepção é imensa. Às vezes as pessoas que não sabem avaliar críticas ou elogios, simplesmente evitam quem possa criticá-las, cercando-se de pessoas bajuladoras. Mesmo que isso torne sua vida mais agradável durante algum tempo, essas pessoas deixam de receber informações úteis, e mais cedo ou mais tarde quebram a cara.

Para lidar com críticas e elogios eficazmente, é necessário aprender a avaliar as diferenças entre o nosso comportamento e a crítica vinda de outrem e aceitar as disparidades entre o nosso comportamento e nossas ilusões, para estar receptivo a todas as fontes de informação, enquanto se é capaz de tomar suas próprias decisões baseados em valores, objetivos e critérios próprios..."


(JORDAN AUGUSTO possui especialização em psicologia oriental, filosofia clássica e tradicional)

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