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29 de dezembro de 2009

SER ÍNTEGRO (Sofia Passos)

O que para uma localidade pode ser considerado moralmente aceitável, para outra comunidade pode ser verdadeiramente obsceno.
Além disso a vida é de uma extraordinária complexidade e a escala de cinzas na qual se desdobram os aspectos das nossas questões e posturas, é tudo menos linear e quem é muito linear nessas atribuições de certo e errado, facilmente escorrega para a inflexibilidade e a intolerância.
Também é verdade que tendemos a ser o que esperam de nós. É por isso que é tão importante escolher bem as pessoas que nos cercam porque é muito difícil não sermos o que é esperado de nós. “O que é esperado de nós” é-nos transmitido subtilmente e provavelmente sem consciência desse fato, mas é um forte fator de moldagem da nossa atitude.
Quando alguém nos observa e nos conhece, não vê apenas uma alma no momento presente, na sua luz e no seu potencial de brilho e aprendizagem.
Quando alguém nos conhece começa a colar os nossos maneirismos com outros que conhece, começa a rotular-nos em função da sua experiência pessoal de outros do “nosso tipo” que já conheceu; começa a esperar de nos que tenhamos determinadas atitudes e é muito difícil resistir a esse magnetismo, sobretudo quando ele é comum a muitos dos que nos rodeiam.
Então ser íntegro pode tornar-se muito complicado, porque há muitas formas de sermos como os outros esperam que sejamos. É muito difícil ser íntegro dentro das limitações que esperam que tenhamos e do grau de exigência com que também podem observar-nos.
É por isso que ser íntegro nunca pode ser uma questão pautada pelo exterior. Tornava-se demasiado complexo para ser praticável.
Ser íntegro é muito mais simples do que tudo isso.
Ser íntegro é ser inteiro, coeso e coerente.
Ser íntegro é algo que resulta de ouvirmos e conhecermos tão bem as vozes que nos habitam, que podemos encontrar formas criativas e inteligentes de não viver em conflito interior tentando satisfazer e corresponder ao exterior.
Para ser íntegro será o bastante conseguir acordos entre as nossas várias vozes interiores, os nossos vários aspectos de personalidade, a nossa cabeça, o nosso coração, o nosso corpo e a nossa alma.
Em cada decisão que conseguimos tomar de forma inteira, que tudo em nós sente essa decisão, que tudo em nós vive essa mesma verdade; estamos a ser íntegros.
Quem vê de fora sente confiança na pessoa íntegra porque percebe nela uma lógica perene e profunda, que não fica pela superficialidade e que não tem a fugacidade de quem vive de pressões externas.
Um ser humano íntegro, precisa de se conhecer bem, precisa de saber dialogar consigo mesmo com inteligência, serenidade e sensibilidade. Precisa de saber negociar consigo mesmo, as melhores soluções para conseguir dar inteiro cada passo na vida, cada escolha, cada palavra.
Quando conseguimos fazer essa aliança sólida e estável entre o que pensamos, o que sentimos, aquilo em que acreditamos, as nossas necessidades, as nossas potencialidades, as nossas limitações, os nossos sonhos e o nosso espírito; tornamo-nos pessoas muito grandes. É a maturidade da alma. É a integridade de um ser humano em tudo o que ele é.
Ser íntegro é ser como a natureza é, como um bebê, como todas as formas de existência e manifestação que podemos observar à nossa volta. Podemos pressentir uma espécie de inteligência maior nessa integridade que a natureza nos oferece sem pestanejar, desde sempre e para sempre na melhor resposta possível. Essa inteireza.
É a diferença entre a integridade moral e a verdadeira integridade.
Na primeira habitam regras de conduta codificada, na segunda é o espírito que habita.
(Sofia Passos é terapeuta)

Um comentário:

Andrea Mari disse...

Que lindo,integridade é uma das virtudes mais belas, eu considero virtude!
Este 2009 me deu varios presentes,um deles foi ter conhecido a sua pessoa e sua integridade!!!!
bjosss