SOBRE ESTE ESPAÇO

"Este espaço reúne textos escritos ao longo dos anos, todos datados conforme o tempo em que nasceram. Não foram revisitados para correções de sentido ou intenção, pois cada palavra guarda a atmosfera emocional, espiritual e humana do seu próprio momento. O que aqui se apresenta não é uma narrativa linear, tampouco uma versão definitiva de quem escreve. É um percurso. Um registro sensível de atravessamentos, amadurecimentos, silêncios, afetos e travessias. A escrita que habita este lugar nasce do encontro entre poesia, espiritualidade e experiência vivida. Não pretende ensinar, convencer ou explicar — apenas partilhar estados de consciência, imagens e sentimentos que pediram forma. Quem lê é convidado a caminhar sem pressa, respeitando o tempo dos textos e o seu próprio. Algumas palavras são sementes, outras são espelhos. Cada leitura encontrará o que estiver pronta para encontrar."

REFLEXÃO

"Ao permanecer, iluminei. Não para salvar, não para provar, não para ser menos. Iluminei para seguir inteira." Claudia Loureiro

29 dezembro, 2009

SER ÍNTEGRO (Sofia Passos)

O que para uma localidade pode ser considerado moralmente aceitável, para outra comunidade pode ser verdadeiramente obsceno.
Além disso a vida é de uma extraordinária complexidade e a escala de cinzas na qual se desdobram os aspectos das nossas questões e posturas, é tudo menos linear e quem é muito linear nessas atribuições de certo e errado, facilmente escorrega para a inflexibilidade e a intolerância.
Também é verdade que tendemos a ser o que esperam de nós. É por isso que é tão importante escolher bem as pessoas que nos cercam porque é muito difícil não sermos o que é esperado de nós. “O que é esperado de nós” é-nos transmitido subtilmente e provavelmente sem consciência desse fato, mas é um forte fator de moldagem da nossa atitude.
Quando alguém nos observa e nos conhece, não vê apenas uma alma no momento presente, na sua luz e no seu potencial de brilho e aprendizagem.
Quando alguém nos conhece começa a colar os nossos maneirismos com outros que conhece, começa a rotular-nos em função da sua experiência pessoal de outros do “nosso tipo” que já conheceu; começa a esperar de nos que tenhamos determinadas atitudes e é muito difícil resistir a esse magnetismo, sobretudo quando ele é comum a muitos dos que nos rodeiam.
Então ser íntegro pode tornar-se muito complicado, porque há muitas formas de sermos como os outros esperam que sejamos. É muito difícil ser íntegro dentro das limitações que esperam que tenhamos e do grau de exigência com que também podem observar-nos.
É por isso que ser íntegro nunca pode ser uma questão pautada pelo exterior. Tornava-se demasiado complexo para ser praticável.
Ser íntegro é muito mais simples do que tudo isso.
Ser íntegro é ser inteiro, coeso e coerente.
Ser íntegro é algo que resulta de ouvirmos e conhecermos tão bem as vozes que nos habitam, que podemos encontrar formas criativas e inteligentes de não viver em conflito interior tentando satisfazer e corresponder ao exterior.
Para ser íntegro será o bastante conseguir acordos entre as nossas várias vozes interiores, os nossos vários aspectos de personalidade, a nossa cabeça, o nosso coração, o nosso corpo e a nossa alma.
Em cada decisão que conseguimos tomar de forma inteira, que tudo em nós sente essa decisão, que tudo em nós vive essa mesma verdade; estamos a ser íntegros.
Quem vê de fora sente confiança na pessoa íntegra porque percebe nela uma lógica perene e profunda, que não fica pela superficialidade e que não tem a fugacidade de quem vive de pressões externas.
Um ser humano íntegro, precisa de se conhecer bem, precisa de saber dialogar consigo mesmo com inteligência, serenidade e sensibilidade. Precisa de saber negociar consigo mesmo, as melhores soluções para conseguir dar inteiro cada passo na vida, cada escolha, cada palavra.
Quando conseguimos fazer essa aliança sólida e estável entre o que pensamos, o que sentimos, aquilo em que acreditamos, as nossas necessidades, as nossas potencialidades, as nossas limitações, os nossos sonhos e o nosso espírito; tornamo-nos pessoas muito grandes. É a maturidade da alma. É a integridade de um ser humano em tudo o que ele é.
Ser íntegro é ser como a natureza é, como um bebê, como todas as formas de existência e manifestação que podemos observar à nossa volta. Podemos pressentir uma espécie de inteligência maior nessa integridade que a natureza nos oferece sem pestanejar, desde sempre e para sempre na melhor resposta possível. Essa inteireza.
É a diferença entre a integridade moral e a verdadeira integridade.
Na primeira habitam regras de conduta codificada, na segunda é o espírito que habita.
(Sofia Passos é terapeuta)

Um comentário:

  1. Que lindo,integridade é uma das virtudes mais belas, eu considero virtude!
    Este 2009 me deu varios presentes,um deles foi ter conhecido a sua pessoa e sua integridade!!!!
    bjosss

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