SOBRE ESTE ESPAÇO

❦ LÍRICOS OLHARES ❦

Este é um espaço dedicado à poesia, à palavra e ao pensamento. Um lugar onde sentimentos, memórias, experiências e reflexões encontram na escrita uma forma de expressão e permanência.

Criado como um encontro entre a sensibilidade e a observação da vida, o blog reúne poemas e textos que percorrem os caminhos do humano: seus afetos, inquietações, descobertas, ausências, encontros e transformações.

Aqui, a palavra não é apenas escrita; é presença, diálogo e possibilidade de olhar para dentro e para fora. Cada texto nasce do desejo de compreender a complexidade da existência e de transformar vivências em versos, narrativas e reflexões.

Este olhar é um convite à pausa em meio à pressa cotidiana. Um espaço para quem acredita que a poesia ainda tem o poder de tocar, despertar sentidos e criar pontes entre histórias diferentes.

Entre palavras, silêncios e pensamentos, este blog permanece como uma travessia pela delicadeza da vida e pela infinita riqueza da experiência humana.


Ao permanecer, iluminei.
Não para salvar, não para provar,
não para ser menos.
Iluminei para seguir inteira.

— Claudia Loureiro

29 maio, 2026

NOITES ETERNAS (Cacau Loureiro)

Crivos de chuva adentram minha pele,

como se o céu viesse em gotas de cura

habitar meu corpo... Quando chegaste

havia o glacial frio embaçando meus olhos...

 

Noites solitárias em matéria inabitada;

medonhos eram sons que ao longe se

ouviam, o ranger das tábuas desenhava

caminhos para os montes sombrios onde

escondi meu coração entre espinhos e farpas.


As manhãs nunca chegavam...

na noite eterna, janelas emperradas

eram espelho das águas ruidosas e

torrenciais que não dissipavam a solidão.

 

Mãos fechadas não descerram a lucidez,

não liberam sementes para o plantio

dos tempos fecundos; deixei de lado as

roupas pesadas. O baú do passado já

não contém mais meus ossos; minha alma

fugiu pelas frestas onde pousou tua

cortesia reluzente.

 

E me vieram belas canções nos ventos

dos morros uivantes, porque a vida é

cantata bela, honesta, nascida nos espíritos

pulsantes; é música plena de existência

que nas noites mais friorentas se faz

presença quando o teu sorriso bate à

minha porta.


 

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