Deixe-me beijar as lembranças...
Pois é no teu corpo que elas se
comprazem noite adentro, e elas
revolvem meus pensamentos
para que eu possa aquecer
minha pele seca na textura
inesquecível do teu colo quente,
sempre nu em liberdade rubra...
carmim... cores exatas dos desejos.
E agora, por minhas mãos, correm
as lágrimas, sal do teu corpo feito
líquidos para matar-me a sede de
agora, para lavar-me o seio de
saudade que me chega como lua
baixa sobre meus ombros.
Jogo-me na cama, dossel dos teus
carinhos, olhares profundos a invadir
minha alma extasiada, encanto a
luzir em meus olhos tristonhos ante
suas pérolas de âmbar ardentes.
Trago de volta o meu pertencimento...
não posso deixar que me leves
para onde vais, já que deixaste aqui
o meu coração endurecido no abraço
que não vem, na ausência que não
dorme... avança pela madrugada.
E sigo teus passos desenhados na areia
de um tempo que não morre mais em
mim, criando dunas que se lançam para
além dos horizontes de amores perdidos.
E todos os dias o sol nasce e se põe
lá no alto, move nuvens e faz crescer
no céu azulíssimo a tua luminosa imagem,
quando tuas escaldantes águas desabam
sobre mim... Temporal.

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