Depois das chuvas varrerem as calçadas,
eu continuo o caminho das germinações
poéticas, vida que se abre em mim como
flor do dia... beijando o sol, aquecendo
minha pele de tuas letras.
Por que tuas escritas ainda bordam palavras
no meu corpo de memórias, como o cintilar das
águas dos rios adentrando tua natureza densa
pulsante, generosa.
Eu sei que o destino não esqueceu de nós,
pois estava escrito nas estrelas esse cruzar
de essências paradoxais, mas confluentes
em êxtases de astros convergentes.
E as águas passarão de novo pelos moinhos
das vivências, porque a reza foi ouvida no
intrínseco da mãe terra, com seus veios onde
nutrimos os fios e ramificações de quem
se reconhece passe o tempo que passar...
Eu acendo os círios, preces que ascendem
aos céus, e sigo a procissão em petições...
andores em que deposito as flores da esperança...
rosas brancas, rosas amarelas, até as rosas rubras
dos desejos que não cessam.
Como os devotos sigo pelas vielas entre
poeira e fé, entre cânticos e rogos,
peregrinos das sarjetas em coro, na
convicção de que todo andor carrega
um coração coroado de saudade.
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