SOBRE ESTE ESPAÇO

❦ LÍRICOS OLHARES ❦

Este é um espaço dedicado à poesia, à palavra e ao pensamento. Um lugar onde sentimentos, memórias, experiências e reflexões encontram na escrita uma forma de expressão e permanência.

Criado como um encontro entre a sensibilidade e a observação da vida, o blog reúne poemas e textos que percorrem os caminhos do humano: seus afetos, inquietações, descobertas, ausências, encontros e transformações.

Aqui, a palavra não é apenas escrita; é presença, diálogo e possibilidade de olhar para dentro e para fora. Cada texto nasce do desejo de compreender a complexidade da existência e de transformar vivências em versos, narrativas e reflexões.

Este olhar é um convite à pausa em meio à pressa cotidiana. Um espaço para quem acredita que a poesia ainda tem o poder de tocar, despertar sentidos e criar pontes entre histórias diferentes.

Entre palavras, silêncios e pensamentos, este blog permanece como uma travessia pela delicadeza da vida e pela infinita riqueza da experiência humana.


Ao permanecer, iluminei.
Não para salvar, não para provar,
não para ser menos.
Iluminei para seguir inteira.

— Claudia Loureiro

04 maio, 2026

CORAÇÃO COROADO (Cacau Loureiro)


Depois das chuvas varrerem as calçadas,

eu continuo o caminho das germinações

poéticas, vida que se abre em mim como

flor do dia... beijando o sol, aquecendo

minha pele de tuas letras ainda vivas.

 

Por que tuas escritas ainda bordam palavras

no meu corpo de memórias, como o cintilar das

águas dos rios adentrando tua natureza densa

pulsante, generosa.

 

Eu sei que o destino não esqueceu de nós,

pois estava escrito nas estrelas esse cruzar

de essências paradoxais, mas confluentes

em êxtases de astros convergentes.

 

E as águas passarão de novo pelos moinhos

das vivências, porque a reza foi ouvida no

intrínseco da mãe terra, com seus veios onde

nutrimos os fios e ramificações de quem

se reconhece passe o tempo que passar...

 

Eu acendo os círios, preces que ascendem

aos céus, e sigo a procissão em petições...

liteiras em que deposito as flores de esperança...

rosas brancas, rosas amarelas, até as rosas rubras

dos desejos que não cessam.

 

Como os devotos sigo pelas vielas entre

poeira e fé, entre cânticos e rogos,

peregrinos das sarjetas em coro, na

convicção de que todo andor carrega

um coração coroado de saudade.

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