SOBRE ESTE ESPAÇO

"Este espaço reúne textos escritos ao longo dos anos, todos datados conforme o tempo em que nasceram. Não foram revisitados para correções de sentido ou intenção, pois cada palavra guarda a atmosfera emocional, espiritual e humana do seu próprio momento. O que aqui se apresenta não é uma narrativa linear, tampouco uma versão definitiva de quem escreve. É um percurso. Um registro sensível de atravessamentos, amadurecimentos, silêncios, afetos e travessias. A escrita que habita este lugar nasce do encontro entre poesia, espiritualidade e experiência vivida. Não pretende ensinar, convencer ou explicar — apenas partilhar estados de consciência, imagens e sentimentos que pediram forma. Quem lê é convidado a caminhar sem pressa, respeitando o tempo dos textos e o seu próprio. Algumas palavras são sementes, outras são espelhos. Cada leitura encontrará o que estiver pronta para encontrar."

REFLEXÃO

"Ao permanecer, iluminei. Não para salvar, não para provar, não para ser menos. Iluminei para seguir inteira." Claudia Loureiro

04 maio, 2026

CORAÇÃO COROADO (Cacau Loureiro)


Depois das chuvas varrerem as calçadas,

eu continuo o caminho das germinações

poéticas, vida que se abre em mim como

flor do dia... beijando o sol, aquecendo

minha pele de tuas letras.

 

Por que tuas escritas ainda bordam palavras

no meu corpo de memórias, como o cintilar das

águas dos rios adentrando tua natureza densa

pulsante, generosa.

 

Eu sei que o destino não esqueceu de nós,

pois estava escrito nas estrelas esse cruzar

de essências paradoxais, mas confluentes

em êxtases de astros convergentes.

 

E as águas passarão de novo pelos moinhos

das vivências, porque a reza foi ouvida no

intrínseco da mãe terra, com seus veios onde

nutrimos os fios e ramificações de quem

se reconhece passe o tempo que passar...

 

Eu acendo os círios, preces que ascendem

aos céus, e sigo a procissão em petições...

andores em que deposito as flores da esperança...

rosas brancas, rosas amarelas, até as rosas rubras

dos desejos que não cessam.

 

Como os devotos sigo pelas vielas entre

poeira e fé, entre cânticos e rogos,

peregrinos das sarjetas em coro, na

convicção de que todo andor carrega

um coração coroado de saudade.

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