Desafiei montanhas...
Por trilhas difíceis eu tentei subir
em minhas próprias planícies.
Regiões onde a essência humana
se perde de si mesma... atalhos
causticantes que me obrigam a
respirar.
Por isso eu mantenho o ar rarefeito
preso nos pulmões, nas sutilezas
de saber a hora de soltar.
Em suspenso, não podemos
escolher quais bifurcações seguir...
Então eu ando a esmo, deixo-me
ao vento das memórias porque
ainda elas me são alimento dentro
das trevas que não me saciam.
Água de beber em rios menos
tranquilos, cepos onde descanso
minha cabeça... Mas não há que se
endurecer ante novas paisagens.
Quando a natureza se harmoniza
com a alma, abrimos clareiras,
engendramos o espírito da floresta,
devastamos o isolamento.
Toco as águas correntes, hoje me
parecem frias, mas o sol alto vai
aquecer a substância que bebo de
histórias que me edificam.
Planto-me então, em consciência...
Mato a sede em campos orvalhados
quando de minhas noites solitárias;
o silêncio também é fera selvagem
a me espreitar entre as moitas
espinhentas dos perdidos... solo
infértil onde os afetos não resistem.
Apresso os passos... eu vejo uma
fenda onde uma luz se acende.
E sigo, porque somente o
despertamento da lucidez
fará-me ir ao encontro
de mim mesma, mesmo estando
entre sarças e pedras.

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