SOBRE ESTE ESPAÇO

"Este espaço reúne textos escritos ao longo dos anos, todos datados conforme o tempo em que nasceram. Não foram revisitados para correções de sentido ou intenção, pois cada palavra guarda a atmosfera emocional, espiritual e humana do seu próprio momento. O que aqui se apresenta não é uma narrativa linear, tampouco uma versão definitiva de quem escreve. É um percurso. Um registro sensível de atravessamentos, amadurecimentos, silêncios, afetos e travessias. A escrita que habita este lugar nasce do encontro entre poesia, espiritualidade e experiência vivida. Não pretende ensinar, convencer ou explicar — apenas partilhar estados de consciência, imagens e sentimentos que pediram forma. Quem lê é convidado a caminhar sem pressa, respeitando o tempo dos textos e o seu próprio. Algumas palavras são sementes, outras são espelhos. Cada leitura encontrará o que estiver pronta para encontrar."

REFLEXÃO

"Ao permanecer, iluminei. Não para salvar, não para provar, não para ser menos. Iluminei para seguir inteira." Claudia Loureiro

03 maio, 2026

ENTRE SARÇAS E PEDRAS (Cacau Loureiro)

 


Desafiei montanhas...

Por trilhas difíceis eu tentei subir

em minhas próprias planícies.

Regiões onde a essência humana

se perde de si mesma... atalhos

causticantes que me obrigam a

respirar.

 

Por isso eu mantenho o ar rarefeito

preso nos pulmões, nas sutilezas

de saber a hora de soltar.

Em suspenso, não podemos

escolher quais bifurcações seguir...

 

Então eu ando a esmo, deixo-me

ao vento das memórias porque

ainda elas me são alimento dentro

das trevas que não me saciam.

Água de beber em rios menos

tranquilos, cepos onde descanso

minha cabeça... Mas não há que se

endurecer ante novas paisagens.

 

Quando a natureza se harmoniza

com a alma, abrimos clareiras,

engendramos o espírito da floresta,

devastamos o isolamento.

 

Toco as águas correntes, hoje me

parecem frias, mas o sol alto vai

aquecer a substância que bebo de

histórias que me edificam.

Planto-me então, em consciência...

 

Mato a sede em campos orvalhados

quando de minhas noites solitárias;

o silêncio também é fera selvagem

a me espreitar entre as moitas

espinhentas dos perdidos... solo

infértil onde os afetos não resistem.

 

Apresso os passos... eu vejo uma

fenda onde uma luz se acende.

E sigo, porque somente o

despertamento da lucidez

fará-me ir ao encontro

de mim mesma, mesmo estando

entre sarças e pedras.

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