SOBRE ESTE ESPAÇO

LÍRICOS OLHARES

LÍRICOS OLHARES é um espaço dedicado à poesia, à palavra e ao pensamento. Um lugar onde sentimentos, memórias, experiências e reflexões encontram na escrita uma forma de expressão e permanência.

Criado como um encontro entre a sensibilidade e a observação da vida, o blog reúne poemas e textos que percorrem os caminhos do humano: seus afetos, inquietações, descobertas, ausências, encontros e transformações.

Aqui, a palavra não é apenas escrita; é presença, diálogo e possibilidade de olhar para dentro e para fora. Cada texto nasce do desejo de compreender a complexidade da existência e de transformar vivências em versos, narrativas e reflexões.

Líricos Olhares é um convite à pausa em meio à pressa cotidiana. Um espaço para quem acredita que a poesia ainda tem o poder de tocar, despertar sentidos e criar pontes entre histórias diferentes.

Entre palavras, silêncios e pensamentos, este blog permanece como uma travessia pela delicadeza da vida e pela infinita riqueza da experiência humana.

REFLEXÃO

"Ao permanecer, iluminei.
Não para salvar, não para provar,
não para ser menos.
Iluminei para seguir inteira."

Claudia Loureiro

01 maio, 2026

OBLÍQUOS (Cacau Loureiro)

O chão amanheceu molhado...

Chuva densa que me acordou por
noites inteiras, e plantou-me os pés...
Mas, as claridades insistem em
penetrar os meus olhos para que
melhor eles enxerguem os dias
que estão por vir.

Não há mais motivos para lágrimas,
o chão fértil reflete o céu onde as
nuvens são curativos para as almas
rasgadas... Ninguém manterá o direito
de me apunhalar pelas costas porque
hoje vejo o quão muitos estão perdidos
em seus trajetos oblíquos.

Deixa-me andar pelas sendas que eu
mesma abro com minhas mãos, seguir
pegadas alheias e truncadas é se perder
pelo caminho e empunhar sozinha a
flâmula e a espada.

Escolho abrir as asas, vertiginosamente,
mirar o céu que me é alívio e clareza, e
assim sobrevoo o mar dos desprezos
como quem agora só vê as profundidades.

Limpei as mãos, levantei-me do solo dos
cegamente permissíveis para crescer em
escolhas coerentes; já não abrigo egotistas.

Sacudo a poeira que me atou os passos,
lama e chuva agora levantam muros, e
labirintos eu edifico com coragem para
manter os insensatos bem longe dos
diamantes que eu poli para enriquecer
minha estrada que haverá de ser bonita.

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