SOBRE ESTE ESPAÇO

"Há palavras que nascem para explicar. Outras, apenas para tocar. Este é um lugar de travessias. Aqui repousam poemas, reflexões e fragmentos de vida escritos ao longo dos anos, preservados no tempo em que surgiram, como quem guarda cartas antigas ou fotografias da alma. Não escrevo para ensinar verdades nem para oferecer respostas prontas. Escrevo para compreender os caminhos, os encontros, as ausências, os recomeços e os silêncios que nos transformam. A poesia é a linguagem que encontrei para dialogar com o invisível, com a memória, com os afetos e com tudo aquilo que insiste em florescer dentro de nós. Seja bem-vindo. Caminhe sem pressa. Algumas palavras são abrigo. Outras são espelho. Talvez alguma delas tenha esperado por você. Claudia Loureiro."

REFLEXÃO

"Ao permanecer, iluminei. Não para salvar, não para provar, não para ser menos. Iluminei para seguir inteira." Claudia Loureiro

26 maio, 2026

RECITAR-TE (Cacau Loureiro)

Quero ler os teus versos da madrugada...

E versejar em minha tez a estrofe que me

seja tua inspiração, pois tenho olhos na

ponta dos dedos e os meus lábios tecerão

todas as escritas dos quereres em teu corpo,

recônditos eriçados em pele e pelos.


Dorme comigo para despertar em minha

alma alegre, que sorri entre filós e cetins,

tingindo de carmim os teus seios entre

minhas mãos aquecidas em teu colo.


Acorda meus instintos em teu frêmito

generoso como orvalho que corre entre

pétalas... acolhedoras ante minhas ternuras

derramadas em tessituras de desejos e

sôfregos prazeres.


Deixa-me dormitar meus cílios molhados

em tuas costas nuas, macias... donde eu

possa avistar todas as tuas curvas e linhas

e perpetuar tua geometria secreta em minhas

ancas e dorso inteiros.


Permita-me sussurrar em teu regaço febril,

encaixar-me em teus braços e pernas...

desaguar rios inteiros em teu pescoço e

ventre, em tuas coxas tenras entreabertas.


Afastarei teus perfumados cabelos, derramarei                

os meus olhos nos teus e recitarei em tua boca

vermelha todos os versos que nesta hora...

 nossas carnes frementes nos deram.


Quero ainda ler os teus versos na madrugada...

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