SOBRE ESTE ESPAÇO

❦ LÍRICOS OLHARES ❦

Este é um espaço dedicado à poesia, à palavra e ao pensamento. Um lugar onde sentimentos, memórias, experiências e reflexões encontram na escrita uma forma de expressão e permanência.

Criado como um encontro entre a sensibilidade e a observação da vida, o blog reúne poemas e textos que percorrem os caminhos do humano: seus afetos, inquietações, descobertas, ausências, encontros e transformações.

Aqui, a palavra não é apenas escrita; é presença, diálogo e possibilidade de olhar para dentro e para fora. Cada texto nasce do desejo de compreender a complexidade da existência e de transformar vivências em versos, narrativas e reflexões.

Este olhar é um convite à pausa em meio à pressa cotidiana. Um espaço para quem acredita que a poesia ainda tem o poder de tocar, despertar sentidos e criar pontes entre histórias diferentes.

Entre palavras, silêncios e pensamentos, este blog permanece como uma travessia pela delicadeza da vida e pela infinita riqueza da experiência humana.


Ao permanecer, iluminei.
Não para salvar, não para provar,
não para ser menos.
Iluminei para seguir inteira.

— Claudia Loureiro

01 junho, 2026

ANTES FLORESCER (Cacau Loureiro)


O fruto amadureceu nos galhos...

Sob todas as intempéries apresentou-se forte.
Embora travasse batalhas todos os dias para sobreviver,
resistiu às mãos inábeis daqueles que,
diante do verde ainda amargo,
insistiam em interromper seu processo,
matando-o antes da florada.

E mesmo atado ao ramo que o nutria,
revela a robustez de sua essência,
a plenitude de sua graça,
a abundância de suas qualidades.

Nutrir é característica dos bons frutos:
crescer entre folhas, sol, chuvas e pragas,
e ainda assim revelar ao mundo a que vieram.

Assim também é a natureza humana:
persistir diante dos ventos malogrados,
das forças contrárias,
porque nossa substância é suavizar o que nasce torto,
transformar o que nos desafia,
lapidar o bruto até que revele sua forma.

Somos feitos para alimentar.
Quem mata pela fome é o estéril.
O infértil.
Aquele que proclama abundância,
mas não sabe partilhar o pão.

Não permita que nada o faça desistir
quando estiver próximo do oásis.
Pois quem afirma que essa água não é boa
talvez jamais tenha sido capaz
de saciar a própria sede.

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