SOBRE ESTE ESPAÇO

LÍRICOS OLHARES

LÍRICOS OLHARES é um espaço dedicado à poesia, à palavra e ao pensamento. Um lugar onde sentimentos, memórias, experiências e reflexões encontram na escrita uma forma de expressão e permanência.

Criado como um encontro entre a sensibilidade e a observação da vida, o blog reúne poemas e textos que percorrem os caminhos do humano: seus afetos, inquietações, descobertas, ausências, encontros e transformações.

Aqui, a palavra não é apenas escrita; é presença, diálogo e possibilidade de olhar para dentro e para fora. Cada texto nasce do desejo de compreender a complexidade da existência e de transformar vivências em versos, narrativas e reflexões.

Líricos Olhares é um convite à pausa em meio à pressa cotidiana. Um espaço para quem acredita que a poesia ainda tem o poder de tocar, despertar sentidos e criar pontes entre histórias diferentes.

Entre palavras, silêncios e pensamentos, este blog permanece como uma travessia pela delicadeza da vida e pela infinita riqueza da experiência humana.

REFLEXÃO

"Ao permanecer, iluminei.
Não para salvar, não para provar,
não para ser menos.
Iluminei para seguir inteira."

Claudia Loureiro

12 junho, 2026

RESSONÂNCIA (Cacau Loureiro)


Há vozes que não pertencem ao vento,

embora caminhem com ele.

São sussurros de ternura,
atravessando os véus do tempo
como astros que persistem acesos,
mesmo quando a noite parece profunda.

Escuto-os.

Não com os ouvidos,
mas com a alma sensibilizada,
nesse lugar secreto onde os afetos
se tornam eternidade.

Teu nome habita os silêncios,
e tua presença floresce azulada
entre as horas e os sonhos,
como um jardim invisível
cultivado pelas mãos do destino,

sol adentrando, em furta-cor, a janela.

Nada se perdeu.

O amor não conhece despedidas.
Transforma-se em luz,
em memória transmutada,
em perfume de rosas
que permanece no ar,
mesmo depois que o jardim adormece.

E quando ergo os olhos ao céu,
vejo constelações desenhando signos
sobre a vastidão estrelada,
como se o universo inteiro
escrevesse, em linguagem de símbolos,
a história que une nossas almas.

Então compreendo:

amar é escutar as ressonâncias.

E cada eco traz de volta tuas falas,
não aquilo que se foi — porque estás —
mas aquilo que escolheu permanecer:

de ti em mim... para sempre.

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