SOBRE ESTE ESPAÇO

"Este espaço reúne textos escritos ao longo dos anos, todos datados conforme o tempo em que nasceram. Não foram revisitados para correções de sentido ou intenção, pois cada palavra guarda a atmosfera emocional, espiritual e humana do seu próprio momento. O que aqui se apresenta não é uma narrativa linear, tampouco uma versão definitiva de quem escreve. É um percurso. Um registro sensível de atravessamentos, amadurecimentos, silêncios, afetos e travessias. A escrita que habita este lugar nasce do encontro entre poesia, espiritualidade e experiência vivida. Não pretende ensinar, convencer ou explicar — apenas partilhar estados de consciência, imagens e sentimentos que pediram forma. Quem lê é convidado a caminhar sem pressa, respeitando o tempo dos textos e o seu próprio. Algumas palavras são sementes, outras são espelhos. Cada leitura encontrará o que estiver pronta para encontrar."

REFLEXÃO

"Ao permanecer, iluminei. Não para salvar, não para provar, não para ser menos. Iluminei para seguir inteira." Claudia Loureiro

13 junho, 2026

TERÇOS DE OUTONO (Cacau Loureiro)


Final de outono... sol ameno e vento frio

a me acordar para as lembranças...

Aquela música sempre toca, esteja ou
não o som ligado... e ela vibra em mim
como o teu corpo quente. Então me levanto
da cama porque é preciso viver, também das
memórias, das imagens enevoadas do teu
sorriso brilhante, da tua gargalhada presente,
dos teus cabelos que clarificavam minhas manhãs
de café sobre a mesa e dos banquetes noturnos.

Ainda sinto tuas pernas pesando sobre as minhas
quando eu delineava o teu corpo nu com minhas
mãos aquecidas dos teus sabores intrínsecos,
dos teus espasmos abundantes.

E as imagens dançam em reminiscências,
povoam minha mente como fio que ainda teço,
feito um terço em orações infindáveis.

E a tarde adentra o meu peito,
farto e falto de ti,
friagem a entrar por baixo da porta trancada,
e as janelas emperradas,
e os quereres enclausurados
em nossas naturezas obstinadas...

Ecoam tantas palavras ainda vívidas,
porque não se enterra o verbo repetido à exaustão...

Eu fiz de nossas grandezas recordações,
e mesmo com o nunca mais que me chega pela noite,
ainda sinto, feito febre terçã,
todos aqueles dias memoráveis.

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