Final de outono... sol ameno e vento frio
a me acordar para as lembranças...
Aquela música sempre toca,
esteja ou
não o som ligado... e ela vibra em mim
como o teu corpo quente. Então me levanto
da cama porque é preciso viver, também das
memórias, das imagens enevoadas do teu
sorriso brilhante, da tua gargalhada presente,
dos teus cabelos que clarificavam minhas manhãs
de café sobre a mesa e dos banquetes noturnos.
Ainda sinto tuas pernas pesando
sobre as minhas
quando eu delineava o teu corpo nu com minhas
mãos aquecidas dos teus sabores intrínsecos,
dos teus espasmos abundantes.
E as imagens dançam em
reminiscências,
povoam minha mente como fio que ainda teço,
feito um terço em orações infindáveis.
E a tarde adentra o meu peito,
farto e falto de ti,
friagem a entrar por baixo da porta trancada,
e as janelas emperradas,
e os quereres enclausurados
em nossas naturezas obstinadas...
Ecoam tantas palavras ainda
vívidas,
porque não se enterra o verbo repetido à exaustão...
Eu fiz de nossas grandezas
recordações,
e mesmo com o nunca mais que me chega pela noite,
ainda sinto, feito febre terçã,
todos aqueles dias memoráveis.

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