Arcanjos dançam nos véus da noite...
Não há guerras a travar,
pois o universo já pronunciou a paz.
Florescem estrelas no infinito,
fazendo cintilar as constelações,
e suas luzes derramam-se suaves
sobre minha fronte.
Tantas histórias se desfazem,
tantas outras começam...
e o dom da criação, em nossas mãos,
ergue os alicerces dos recomeços.
Olho adiante e vejo a estrada iluminada,
livre das vaidades e dos atalhos
que tantas vezes nos desviam de nós mesmos.
Quero entre meus dedos
a joia preciosa dos amores acalentados,
pois tracei meus caminhos
com as linhas de um coração franco.
Não há cansaço.
Há apenas entusiasmo
para acolher o que se apresenta
nos planos mais elevados da existência.
Algo imaterial dança ao meu redor,
entoando cânticos silenciosos,
e eu percebo...
eu sinto o compasso dos anjos.
A vida é uma dádiva
que merece ser celebrada com sorrisos,
pois eles abrem portais invisíveis
para os caminhos da alma.
Tua voz e minha voz
ascendem como orações ao infinito,
porque o divino escuta os clamores sinceros
daqueles que semearam a terra
com bondade e ternura.
Sem espadas,
caminho pelos campos abertos.
Não há rastros dos bárbaros,
apenas eflúvios astrais.
Há jasmins perfumando a jornada,
há cores derramadas em arco-íris
sobre as promessas da eternidade.
E eu desejo viver tudo isso
ainda sorrindo,
ainda cantando,
em louvação à criação que vive
e todos os dias nos revela,
com infinita delicadeza,
a verdadeira face do amor.

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