O tempo desce suas asas, sombreia
Busco no passado os motivos
para a existência do silêncio.
Já não explicarei como se deve amar.
Nada floresce sob as mãos do
egoísmo,
olhar estreito dos que atravessam a dor
sem recolher seus ensinamentos,
sem valorizar quem lhes oferece afeto.
Minhas mãos no escuro
buscam-te,
noite vazia,
coração pesado...
Ouço uma canção nas frestas da
madrugada;
o som arranha as lembranças
como lâminas que ferem minha alma.
Como deixaste escorrer entre os
dedos
um amor tão puro,
fronteiras de um espírito acolhedor?
As lágrimas secaram em meus
olhos
quando contemplei tua armadura fria,
tuas escolhas incongruentes,
incoerências de quem atravessou a vida
sem compreender a linguagem dos afetos.
Lamento que não soubeste
entender
que amar é desarmar-se,
soltar o passado,
olhar adiante sem esmorecer,
construindo os caminhos da lealdade.
Deixo teus sons perderem-se na alvorada.
Pela manhã o sol despontará,
clareando os caminhos.
E já não estarei presa a ti.
Então conhecerei libertação!...

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