SOBRE ESTE ESPAÇO

❦ LÍRICOS OLHARES ❦

Este é um espaço dedicado à poesia, à palavra e ao pensamento. Um lugar onde sentimentos, memórias, experiências e reflexões encontram na escrita uma forma de expressão e permanência.

Criado como um encontro entre a sensibilidade e a observação da vida, o blog reúne poemas e textos que percorrem os caminhos do humano: seus afetos, inquietações, descobertas, ausências, encontros e transformações.

Aqui, a palavra não é apenas escrita; é presença, diálogo e possibilidade de olhar para dentro e para fora. Cada texto nasce do desejo de compreender a complexidade da existência e de transformar vivências em versos, narrativas e reflexões.

Este olhar é um convite à pausa em meio à pressa cotidiana. Um espaço para quem acredita que a poesia ainda tem o poder de tocar, despertar sentidos e criar pontes entre histórias diferentes.

Entre palavras, silêncios e pensamentos, este blog permanece como uma travessia pela delicadeza da vida e pela infinita riqueza da experiência humana.


Ao permanecer, iluminei.
Não para salvar, não para provar,
não para ser menos.
Iluminei para seguir inteira.

— Claudia Loureiro

22 junho, 2026

ALFORRIA (Cacau Loureiro)


O tempo desce suas asas, sombreia
meus olhos...
Vida embaçada...

Busco no passado os motivos
para a existência do silêncio.
Já não explicarei como se deve amar.

Nada floresce sob as mãos do egoísmo,
olhar estreito dos que atravessam a dor
sem recolher seus ensinamentos,
sem valorizar quem lhes oferece afeto.

Minhas mãos no escuro buscam-te,
noite vazia,
coração pesado...

Ouço uma canção nas frestas da madrugada;
o som arranha as lembranças
como lâminas que ferem minha alma.

Como deixaste escorrer entre os dedos
um amor tão puro,
fronteiras de um espírito acolhedor?

As lágrimas secaram em meus olhos
quando contemplei tua armadura fria,
tuas escolhas incongruentes,
incoerências de quem atravessou a vida
sem compreender a linguagem dos afetos.

Lamento que não soubeste entender
que amar é desarmar-se,
soltar o passado,
olhar adiante sem esmorecer,
construindo os caminhos da lealdade.

Deixo teus sons perderem-se na alvorada.

Pela manhã o sol despontará,
clareando os caminhos.

E já não estarei presa a ti.
Então conhecerei libertação!...

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