Passo minhas mãos entre os
lençóis...
Senhora
das serpentes,
teus movimentos ainda dançam em mim,
sol que invade janelas
e acende teu corpo
em relampejos de saudade.
Tua
silhueta balança ante meus olhos,
âmbar inquieto
que invade minha alma
e faz morada
em meus trajetos de fêmea.
Em
tua lua, eu sonho acordada.
Boca e pele riscadas de prazer.
Teu
calor ainda me percorre.
Teu perfume ainda me habita.
E meus músculos ainda doem
na tua ausência.
Senhora
do ventre fértil
e dos excessos,
dos braços fortes
que ritmavam meu pranto e meus sorrisos,
carmim
derramado em luz
onde fui inteira
em dádiva e desejo.
Teu
arco-íris nasce após as tempestades,
ponte celeste
aos meus tesouros mais fundos.
Lumes
serpenteiam minha estrada,
auroras em frutos e flores,
teus prateados cabelos amanhecendo em mim.
E
quando a noite recolhe seus silêncios,
ainda encontro teus vestígios
entre os filós da ausência.
E
sigo a sonhar tua luminosidade.

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