SOBRE ESTE ESPAÇO

"Há palavras que nascem para explicar. Outras, apenas para tocar. Este é um lugar de travessias. Aqui repousam poemas, reflexões e fragmentos de vida escritos ao longo dos anos, preservados no tempo em que surgiram, como quem guarda cartas antigas ou fotografias da alma. Não escrevo para ensinar verdades nem para oferecer respostas prontas. Escrevo para compreender os caminhos, os encontros, as ausências, os recomeços e os silêncios que nos transformam. A poesia é a linguagem que encontrei para dialogar com o invisível, com a memória, com os afetos e com tudo aquilo que insiste em florescer dentro de nós. Seja bem-vindo. Caminhe sem pressa. Algumas palavras são abrigo. Outras são espelho. Talvez alguma delas tenha esperado por você. Claudia Loureiro."

REFLEXÃO

"Ao permanecer, iluminei. Não para salvar, não para provar, não para ser menos. Iluminei para seguir inteira." Claudia Loureiro

21 junho, 2026

LUMINOSA (Cacau Loureiro)


Passo minhas mãos entre os lençóis...

Senhora das serpentes,
teus movimentos ainda dançam em mim.

Sol que invade janelas
e acende teu corpo
em relampejos de saudade.

Tua silhueta balança ante meus olhos.

Âmbar inquieto
que invade minha alma
e faz morada em meus trajetos de fêmea.

Em tua lua, eu sonho acordada.

Boca.
Pele.
Riscos de prazer.

Teu calor ainda me percorre.

Teu perfume ainda me habita.

E meus músculos ainda doem
na tua ausência.

Senhora do ventre fértil
e dos excessos.

Braços fortes
ritmando meu pranto.
Rimando meus sorrisos.

Carmim em luz.
Onde fui inteira.

Dádiva.
Desejo.

Teu arco-íris nasce após as tempestades.

Ponte celeste
aos meus tesouros mais fundos.

Lumes serpenteiam minha estrada.

Auroras em frutos e flores.

Teus prateados cabelos amanhecem em mim.

E quando a noite recolhe seus silêncios...

ainda encontro teus vestígios
entre os filós da ausência.

E sigo
a sonhar
tua luminosidade.

 

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