Manhãs Perfumadas...
Abro os meus olhos; a tua alvorada
é quem me chama a viver.
Não haverá futuro venturoso se a tua
presença não me fizer companhia.
Teu sorriso largo e branco como as nuvens
é pouso, é prenda do divino. Por isso te olho
dentro das pupilas; lá me vejo despida
de vaidades, vejo-me com a alma
franqueada, também para te receber.
Bobagens fazem-me pensar em perdas.
Eu, que aprendi que nada é por acaso,
permaneço entre as flores que teu abraço
me concedeu em dias quentes, em dias
frios, no despertar dos teus aromas em mim.
Não tenho medo. A vida lá fora já não
mais me estremece por dentro. Plantei
minhas decisões nas veredas que contigo
aprendi. O mundo grita por confusão, e
eu coloquei minha cabeça na certeza de
que somente os afetos profundos podem
transformar as caminhadas.
Aragem fresca a tocar-me a face, a me
tranquilizar o espírito. Não há montanhas
intransponíveis quando a verdade vai à
frente, quando a transparência é flâmula
e bandeira na marcha da evolução.
Ainda escuto o teu riso, que desencadeia
frisson em meus nervos, pele e alma, e
ando a descortinar teu universo bonito, que
ainda permanece em mim, mesmo ante a
tua partida breve...
Sigo liberta, mas voo contigo.

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