SOBRE ESTE ESPAÇO

"Este espaço reúne textos escritos ao longo dos anos, todos datados conforme o tempo em que nasceram. Não foram revisitados para correções de sentido ou intenção, pois cada palavra guarda a atmosfera emocional, espiritual e humana do seu próprio momento. O que aqui se apresenta não é uma narrativa linear, tampouco uma versão definitiva de quem escreve. É um percurso. Um registro sensível de atravessamentos, amadurecimentos, silêncios, afetos e travessias. A escrita que habita este lugar nasce do encontro entre poesia, espiritualidade e experiência vivida. Não pretende ensinar, convencer ou explicar — apenas partilhar estados de consciência, imagens e sentimentos que pediram forma. Quem lê é convidado a caminhar sem pressa, respeitando o tempo dos textos e o seu próprio. Algumas palavras são sementes, outras são espelhos. Cada leitura encontrará o que estiver pronta para encontrar."

REFLEXÃO

"Ao permanecer, iluminei. Não para salvar, não para provar, não para ser menos. Iluminei para seguir inteira." Claudia Loureiro

23 outubro, 2023

ALVORECER (Cacau Loureiro)


Deposito os ósculos da gratidão em tuas mãos...
Nesta caravana da existência eu avistei a ponte
dos afetos inenarráveis, oásis de benesses. 
Ante a sede da caminhada meus olhos marejaram
as águas da esperança e o medo dissipou-se no
vento redemoinho de emoções novatas.
Areias, ventania, sol ardente, miragens nômades
de um coração escaldante em amores despedidos.
Mas, há um respiro de refrigério na noite que se fez
por muito tempo em mim, há o clarão de uma lua
deslumbrante a iluminar pegadas no pó do destino.
Ah! O acaso não existe!  Escolhas sim! 
Nas minhas sandálias limpas ainda há simplicidade,
coragem para a seara das semeaduras sublimes. 
E eu declino minha fronte ante o teu sagrado para
permitir que o meu sagrado desperte... aflore com
abundância de lenidades.
Há bilhões de estrelas a permear os caminhos de
uma alma viajora, via láctea dos amores encantados
a alimentar os seios fartos onde os entes guardiães
fazem morada, entoam cânticos celestes.
Sussurros do universo dizem-me: paz, sossega!
A chama da criação cria as sementes, cabe a nós
abrir os punhos, rasgar o peito, abrir a mente,
fazer fluir amabilidades e doçura.
Eu divisei o movimento fluídico de vestes benfazejas,
numa roda-viva de sonhos tão bonitos...
há um despertar nesta alvorada bendita, luzeiro
dos mortais, aurora austral de deleites!...

Um comentário:

  1. Patrícia Guerra23/10/2023, 13:31

    Existem palavras e músicas que nos tocam profundamente a alma.
    Como viajantes que somos nessa Terra Escola, por vezes nos sentimos cansados quando pensamos: existirá de fato para nós algo reservado, aquele encontro ou reencontro de almas?
    Ahhhhh Vida! Que grata surpresa!
    Essa música é uma das melhores da minha VIDA.
    Ahh!! De fato para o Universo, acasos não existem!🌹

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