SOBRE ESTE ESPAÇO

"Este espaço reúne textos escritos ao longo dos anos, todos datados conforme o tempo em que nasceram. Não foram revisitados para correções de sentido ou intenção, pois cada palavra guarda a atmosfera emocional, espiritual e humana do seu próprio momento. O que aqui se apresenta não é uma narrativa linear, tampouco uma versão definitiva de quem escreve. É um percurso. Um registro sensível de atravessamentos, amadurecimentos, silêncios, afetos e travessias. A escrita que habita este lugar nasce do encontro entre poesia, espiritualidade e experiência vivida. Não pretende ensinar, convencer ou explicar — apenas partilhar estados de consciência, imagens e sentimentos que pediram forma. Quem lê é convidado a caminhar sem pressa, respeitando o tempo dos textos e o seu próprio. Algumas palavras são sementes, outras são espelhos. Cada leitura encontrará o que estiver pronta para encontrar."

REFLEXÃO

"Ao permanecer, iluminei. Não para salvar, não para provar, não para ser menos. Iluminei para seguir inteira." Claudia Loureiro

09 outubro, 2023

PROUVERA (Cacau Loureiro)


O mundo não tem facilitado a caminhada,

mas, para aqueles que fortaleceram seus

corações naqueles outros que eram de pedra...

Torna-se fácil reconhecer quem ferido foi e se deixar

amar pelos que amar sabem...

Pés descalços, alma nua... as águas lavam o rosto

e também a alma. E eu não sei onde essas trilhas

sob meus pés me levarão... nos levarão?!

Somente sei que estou!...

Há o perfume das divindades em todos os

recantos onde a beleza do alto se conjuga

com as belezas da terra... onde raízes se fincam

para elevarem os que respeitam a si mesmos e

aos outros. E em mim guardadas estão as cores

da abundância, dos cantos e dos cânticos que só

minha gema soube decifrar... ouvir... apreender.

Ah! Há ouro, incenso e mirra nas nascentes em

que lavas as mãos, e, beber dessas águas me

cultivam o espírito da verde esperança que

haverá de pacificar todo o meu caráter combativo.

Eu respiro e aspiro os aromas que tua natureza

plena, singela e tão exuberante exalam... porque

há um sopro de vida em mim.

Há tanto poder nesta vontade que nasce do

intrínseco do meu seio... e no ventre da mãe

natureza que me impulsionam para a vida.

Meus lábios em suas suaves mãos balbuciam

um rogo... uma benção... uma reza...

Oxalá me seja concedida esta dádiva!...

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