SOBRE ESTE ESPAÇO

"Este espaço reúne textos escritos ao longo dos anos, todos datados conforme o tempo em que nasceram. Não foram revisitados para correções de sentido ou intenção, pois cada palavra guarda a atmosfera emocional, espiritual e humana do seu próprio momento. O que aqui se apresenta não é uma narrativa linear, tampouco uma versão definitiva de quem escreve. É um percurso. Um registro sensível de atravessamentos, amadurecimentos, silêncios, afetos e travessias. A escrita que habita este lugar nasce do encontro entre poesia, espiritualidade e experiência vivida. Não pretende ensinar, convencer ou explicar — apenas partilhar estados de consciência, imagens e sentimentos que pediram forma. Quem lê é convidado a caminhar sem pressa, respeitando o tempo dos textos e o seu próprio. Algumas palavras são sementes, outras são espelhos. Cada leitura encontrará o que estiver pronta para encontrar."

REFLEXÃO

"Ao permanecer, iluminei. Não para salvar, não para provar, não para ser menos. Iluminei para seguir inteira." Claudia Loureiro

15 outubro, 2023

OFERENDA (Cacau Loureiro)


As dores nos povoam...

Algumas como um parto fazem nascer

os mais belos rebentos.

Nesta manhã eu joguei flores no mar

pois, os ventos me trouxeram você.

Eu aspirei os aromas da bela vista na

real intenção de sentir os teus sabores...

odores que me penetram a alma e

acordam-me os sentidos para o viver

tudo... para o bem-viver.

Como conhecer o bálsamo quando as

águas se debatem por dentro e por fora

numa agitação constante de sensações,

virações e calmaria?!

Como admirar as auroras quando o

espírito vive esta convulsão de veleidades

fomentando caminhos de muitas vontades?!

A saudade como as ondas levam e trazem

lembranças, e elas vêm vívidas como o

céu que agora é translúcido e deixa o

meu olhar distante e meu corpo exausto!

No horizonte, as suas linhas traçam

roteiros da bem-aventurança... e o

infinito que me abraça é ameno como

este sol de primavera que rebrilhou

em meu coração hoje inábil criança

almejando o crescimento interior.

Nesta natureza dadivosa eu sei... aquele

que tocar meu imo franco e despertar o

meu seio generoso, conhecerá a paz que

liberta e o amor que edifica.

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