SOBRE ESTE ESPAÇO

LÍRICOS OLHARES

LÍRICOS OLHARES é um espaço dedicado à poesia, à palavra e ao pensamento. Um lugar onde sentimentos, memórias, experiências e reflexões encontram na escrita uma forma de expressão e permanência.

Criado como um encontro entre a sensibilidade e a observação da vida, o blog reúne poemas e textos que percorrem os caminhos do humano: seus afetos, inquietações, descobertas, ausências, encontros e transformações.

Aqui, a palavra não é apenas escrita; é presença, diálogo e possibilidade de olhar para dentro e para fora. Cada texto nasce do desejo de compreender a complexidade da existência e de transformar vivências em versos, narrativas e reflexões.

Líricos Olhares é um convite à pausa em meio à pressa cotidiana. Um espaço para quem acredita que a poesia ainda tem o poder de tocar, despertar sentidos e criar pontes entre histórias diferentes.

Entre palavras, silêncios e pensamentos, este blog permanece como uma travessia pela delicadeza da vida e pela infinita riqueza da experiência humana.

REFLEXÃO

"Ao permanecer, iluminei.
Não para salvar, não para provar,
não para ser menos.
Iluminei para seguir inteira."

Claudia Loureiro

25 outubro, 2023

ÍRIS ÂMBAR (Cacau Loureiro)

O dia amanheceu nublado, assim como a saudade
me deixou o coração obtuso, desconexo, âmbar.
Mas, há em mim um sol abrasador para mil verões!...
Tenho comigo as flores que deixaste em minhas mãos,
também o perfume, o aroma doce de tua alma que
me cercou por todos os lados e não me deixou saídas.
Como Ícaro sonhei aselhas angelicais para sobrevoar
o teu globo formoso e vislumbrar o teu sorriso bem-feito.
O voo dos arrebatados é cego, é um mergulho em queda
livre com asas de cera em labirinto encantado. 
Assim eu quero ir!... Deixar para trás meu mundo antigo.
A tua índole forte me impulsionou aos voos mais altos,
a visões de perder o fôlego, a vertigens descomunais.
Não sei como suster este êxtase de adrenalina!
Como admirar as rotas do espaço celeste sem pairar
em tua vista abrangente, estonteante, infinita?
Como um anjo decaído tomado pelas mãos do tempo,
preciso enfunar as asas e mudar de direção...  Subir...
Pousar no templo da dileção das almas e permitir-me
às preces de gratidão, e tecer caminhos novos nesta
várzea de coloridas borboletas.
Deixa-me tocar o teu interior, só assim eu sairei
deste torpor, desta dorida inércia. 
Neste voo indelével da lembrança deixa-me reavivar
as cores do teu arco-íris ímpar.

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