SOBRE ESTE ESPAÇO

"Este espaço reúne textos escritos ao longo dos anos, todos datados conforme o tempo em que nasceram. Não foram revisitados para correções de sentido ou intenção, pois cada palavra guarda a atmosfera emocional, espiritual e humana do seu próprio momento. O que aqui se apresenta não é uma narrativa linear, tampouco uma versão definitiva de quem escreve. É um percurso. Um registro sensível de atravessamentos, amadurecimentos, silêncios, afetos e travessias. A escrita que habita este lugar nasce do encontro entre poesia, espiritualidade e experiência vivida. Não pretende ensinar, convencer ou explicar — apenas partilhar estados de consciência, imagens e sentimentos que pediram forma. Quem lê é convidado a caminhar sem pressa, respeitando o tempo dos textos e o seu próprio. Algumas palavras são sementes, outras são espelhos. Cada leitura encontrará o que estiver pronta para encontrar."

REFLEXÃO

"Ao permanecer, iluminei. Não para salvar, não para provar, não para ser menos. Iluminei para seguir inteira." Claudia Loureiro

29 outubro, 2009

VIAGEIRO (Cacau Loureiro)


A alegria partiu... não deixou rastros...

como trem expresso não fez parada

em meu coração isolado.

Caminho a esmo pelos trilhos da

saudade...  adiante os paralelos se

confundem, não se encontram.

Entre as férreas linhas que se partem,

além do horizonte o céu é túnel sem luz...

é rumo infindo.

Há um silêncio mórbido no aço frio

das vaidades, não há vestígios de som,

não há chegada.

Na plataforma deserta, o meu amor é

viageiro, andarilho sem pausa.

O tempo cessou na partida das lágrimas onde

o relógio é maquinista insensível.

Minha bagagem parece-me inútil, pois que

minhas vestes são maiores que meus sonhos.

Arrasto emoções para destino sem causa,

não há portas suficientes para a multidão

de desejos...

Translado a paisagem que me morre velozmente

para o fundo do meu peito peregrino.


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