SOBRE ESTE ESPAÇO

LÍRICOS OLHARES

LÍRICOS OLHARES é um espaço dedicado à poesia, à palavra e ao pensamento. Um lugar onde sentimentos, memórias, experiências e reflexões encontram na escrita uma forma de expressão e permanência.

Criado como um encontro entre a sensibilidade e a observação da vida, o blog reúne poemas e textos que percorrem os caminhos do humano: seus afetos, inquietações, descobertas, ausências, encontros e transformações.

Aqui, a palavra não é apenas escrita; é presença, diálogo e possibilidade de olhar para dentro e para fora. Cada texto nasce do desejo de compreender a complexidade da existência e de transformar vivências em versos, narrativas e reflexões.

Líricos Olhares é um convite à pausa em meio à pressa cotidiana. Um espaço para quem acredita que a poesia ainda tem o poder de tocar, despertar sentidos e criar pontes entre histórias diferentes.

Entre palavras, silêncios e pensamentos, este blog permanece como uma travessia pela delicadeza da vida e pela infinita riqueza da experiência humana.

REFLEXÃO

"Ao permanecer, iluminei.
Não para salvar, não para provar,
não para ser menos.
Iluminei para seguir inteira."

Claudia Loureiro

15 outubro, 2009

TRANSVERBERADA (Cacau Loureiro)


Naveguei por muitos mares nesta vida, tu
não sabes sequer sobre um palmo da minha
rota, caminhos tortuosos, bússola incerta,
desafios, tempestades...
Por minhas andanças ultramarinas, teci
sonhos, Antárctida, continentes perdidos
em mim.
Não sou comandante em minha vida,
comandada sou pelo destino, e este a
ninguém pertence.
Em minha mente apenas, a aurora boreal,
a minha frente apenas, o imenso mar, e
aos bordos fui pelos caminhos que escolhi.
Eu sou assim: nau perdida no azulão dos
oceanos, nau fundida na escuridão do céu.
O mar morto é o sal da minha vida, o mastro
do barco a base do meu espírito.
Em meus sonhos transoceânicos busco a
constelação que me guiará à própria sorte,
não temo mais a morte, a deviação da meta,
apenas estou aberta à ondulação das vagas,
à ferocidade das ondas.
Este percurso que traço todos os dias nos
rumos meus, fazem-me conhecer o próprio
inferno, voar dentre o próprio céu.
Brava e valente sigo adiante, mas, naufrago
todos os dias. Singro o meu peito tão mal
amado, dilacerado pelos bancos de corais...
Já não navego mais, apenas, deixo-me levar...
Quantos sóis, quantos nós, quantos céus,
quantos mares!!
Sigo sem rumo, instrumentos, faleço e careço
sem argumentos.
Deixo-me ao mar, silenciosamente transviada,
inelutavelmente transverberada pela tormenta
dos meus sentimentos.

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