SOBRE ESTE ESPAÇO

LÍRICOS OLHARES

LÍRICOS OLHARES é um espaço dedicado à poesia, à palavra e ao pensamento. Um lugar onde sentimentos, memórias, experiências e reflexões encontram na escrita uma forma de expressão e permanência.

Criado como um encontro entre a sensibilidade e a observação da vida, o blog reúne poemas e textos que percorrem os caminhos do humano: seus afetos, inquietações, descobertas, ausências, encontros e transformações.

Aqui, a palavra não é apenas escrita; é presença, diálogo e possibilidade de olhar para dentro e para fora. Cada texto nasce do desejo de compreender a complexidade da existência e de transformar vivências em versos, narrativas e reflexões.

Líricos Olhares é um convite à pausa em meio à pressa cotidiana. Um espaço para quem acredita que a poesia ainda tem o poder de tocar, despertar sentidos e criar pontes entre histórias diferentes.

Entre palavras, silêncios e pensamentos, este blog permanece como uma travessia pela delicadeza da vida e pela infinita riqueza da experiência humana.

REFLEXÃO

"Ao permanecer, iluminei.
Não para salvar, não para provar,
não para ser menos.
Iluminei para seguir inteira."

Claudia Loureiro

28 outubro, 2009

ÁGUAS-MORTAS (Cacau Loureiro)


Em cada passo, uma esquina,
o mundo passa à minha volta,
minha revolta é não querer
parar. Pairando sobre o
firmamento estão meus
verdadeiros caminhos; não
os toco, pois sempre me precipito
no caos da minha memória. É o
passado, vácuo do meu corpo.
Quão grandes são meus sonhos!...
Minha alma liberta só alimenta
os anseios, os quais não posso
ocultar. Pelos instantes padeço
porque meu preço é a vida que
levo, e a verdade que trago, só
desmistifica o que já me é
difícil acreditar.
Em cada passo, o céu mais longe
fito, os sonhos mais altos voam.
Contudo, ponho os pés no chão
e limpo a lama da alma.
Em cada palmo de terra vou
ao encontro do infinito, o
limite do mar...
Paradoxo fatal é o mundo, a vida!...
Mergulho fundo, peito aberto,
difusão água é céu.
Sou átomo vibrante de pequeníssima
dimensão.
A água, o céu, o sol, o sal, a terra
fogem-me das mãos.
Desperto por fim... então... entre
meus dedos a caneta repousa.
Papeis na mesa, sobre a cama,
no chão, analogamente distintos
uns sobre os outros, como tela e
pincel, como lençol e dossel.
A luz da janela cintila no escuro do meu
quarto, a brisa esvoaça os esboços dos
meus versos. São meus sonhos, minha
vida. Tão meninos, recordo-me menina...
...águas-vivas,
folhas secas,
águas-mortas,
preamar no mar da vida.

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