SOBRE ESTE ESPAÇO

"Este espaço reúne textos escritos ao longo dos anos, todos datados conforme o tempo em que nasceram. Não foram revisitados para correções de sentido ou intenção, pois cada palavra guarda a atmosfera emocional, espiritual e humana do seu próprio momento. O que aqui se apresenta não é uma narrativa linear, tampouco uma versão definitiva de quem escreve. É um percurso. Um registro sensível de atravessamentos, amadurecimentos, silêncios, afetos e travessias. A escrita que habita este lugar nasce do encontro entre poesia, espiritualidade e experiência vivida. Não pretende ensinar, convencer ou explicar — apenas partilhar estados de consciência, imagens e sentimentos que pediram forma. Quem lê é convidado a caminhar sem pressa, respeitando o tempo dos textos e o seu próprio. Algumas palavras são sementes, outras são espelhos. Cada leitura encontrará o que estiver pronta para encontrar."

REFLEXÃO

"Ao permanecer, iluminei. Não para salvar, não para provar, não para ser menos. Iluminei para seguir inteira." Claudia Loureiro

28 outubro, 2009

ÁGUAS-MORTAS (Cacau Loureiro)


Em cada passo, uma esquina,
o mundo passa à minha volta,
minha revolta é não querer
parar. Pairando sobre o
firmamento estão meus
verdadeiros caminhos; não
os toco, pois sempre me precipito
no caos da minha memória. É o
passado, vácuo do meu corpo.
Quão grandes são meus sonhos!...
Minha alma liberta só alimenta
os anseios, os quais não posso
ocultar. Pelos instantes padeço
porque meu preço é a vida que
levo, e a verdade que trago, só
desmistifica o que já me é
difícil acreditar.
Em cada passo, o céu mais longe
fito, os sonhos mais altos voam.
Contudo, ponho os pés no chão
e limpo a lama da alma.
Em cada palmo de terra vou
ao encontro do infinito, o
limite do mar...
Paradoxo fatal é o mundo, a vida!...
Mergulho fundo, peito aberto,
difusão água é céu.
Sou átomo vibrante de pequeníssima
dimensão.
A água, o céu, o sol, o sal, a terra
fogem-me das mãos.
Desperto por fim... então... entre
meus dedos a caneta repousa.
Papeis na mesa, sobre a cama,
no chão, analogamente distintos
uns sobre os outros, como tela e
pincel, como lençol e dossel.
A luz da janela cintila no escuro do meu
quarto, a brisa esvoaça os esboços dos
meus versos. São meus sonhos, minha
vida. Tão meninos, recordo-me menina...
...águas-vivas,
folhas secas,
águas-mortas,
preamar no mar da vida.

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