SOBRE ESTE ESPAÇO

"Este espaço reúne textos escritos ao longo dos anos, todos datados conforme o tempo em que nasceram. Não foram revisitados para correções de sentido ou intenção, pois cada palavra guarda a atmosfera emocional, espiritual e humana do seu próprio momento. O que aqui se apresenta não é uma narrativa linear, tampouco uma versão definitiva de quem escreve. É um percurso. Um registro sensível de atravessamentos, amadurecimentos, silêncios, afetos e travessias. A escrita que habita este lugar nasce do encontro entre poesia, espiritualidade e experiência vivida. Não pretende ensinar, convencer ou explicar — apenas partilhar estados de consciência, imagens e sentimentos que pediram forma. Quem lê é convidado a caminhar sem pressa, respeitando o tempo dos textos e o seu próprio. Algumas palavras são sementes, outras são espelhos. Cada leitura encontrará o que estiver pronta para encontrar."

REFLEXÃO

"Ao permanecer, iluminei. Não para salvar, não para provar, não para ser menos. Iluminei para seguir inteira." Claudia Loureiro

31 outubro, 2009

ÁPAGE (Cacau Loureiro)


Calada estanquei os meus atos, na
síndrome dos teus caprichos a se
misturarem aos meus, enregelei a
paixão.
Como uma boca ardente de desejo
pode guardar palavras tão frias?
Mãos calorosas guardar atitudes
tão baixas?
Meu coração emudecido fechou em
negro o meu espírito, estagnou os
meus gestos voluptuosos.
Mortificada quero esquecer toda a
cena, uma atitude de carinho não
poderia ser tão obscena, mostrar-se
tão desconexa.
Como ainda decantar o amor?
Como agora refrear a paixão?
Como poderei limitar a tensão?
Não mais importa aquele momento,
pois que o tempo o apagará...
Mas, eu queria chorar, entregar-me
às mágoas, porém, não posso extravasar
o que não mais está em meu coração.
No reflexo deste apagão sinto-me
empobrecida... sob os açoites da vida
eu pleiteio o meu próprio perdão.
Consciência, estado de espírito,
inferno astral, seja o que for... eu
quero a paz!...
Neste embate que travo, nesta luta
em que deveras tombo... eu preciso
suplantar este desgosto, eu preciso
chorar em outro ombro.
Tentei te expor, gritar-te, falar-te da dor;
Embalo-me neste estupor... eu sei,
esquecerei um dia que te embalei em amor.
Ápage!


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