LÍRICOS OLHARES

LÍRICOS OLHARES

PENSAMENTO DO DIA

"À força de tanto ler e imaginar, fui me distanciando da realidade ao ponto de já não poder distinguir em que dimensão vivo" (Dom Quixote)

Seguidores

REFLEXÃO

“Seja qual for o país, capitalista ou socialista, o homem foi em todo o lado arrasado pela tecnologia, alienado do seu próprio trabalho, feito prisioneiro, forçado a um estado de estupidez.” (Simone de Beauvoir)





31 de outubro de 2009

ÁPAGE (Cacau Loureiro)


Calada estanquei os meus atos, na
síndrome dos teus caprichos a se
misturarem aos meus, enregelei a
paixão.
Como uma boca ardente de desejo
pode guardar palavras tão frias?
Mãos calorosas guardar atitudes
tão baixas?
Meu coração emudecido fechou em
negro o meu espírito, estagnou os
meus gestos voluptuosos.
Mortificada quero esquecer toda a
cena, uma atitude de carinho não
poderia ser tão obscena, mostrar-se
tão desconexa.
Como ainda decantar o amor?
Como agora refrear a paixão?
Como poderei limitar a tensão?
Não mais importa aquele momento,
pois que o tempo o apagará...
Mas, eu queria chorar, entregar-me
às mágoas, porém, não posso extravasar
o que não mais está em meu coração.
No reflexo deste apagão sinto-me
empobrecida... sob os açoites da vida
eu pleiteio o meu próprio perdão.
Consciência, estado de espírito,
inferno astral, seja o que for... eu
quero a paz!...
Neste embate que travo, nesta luta
em que deveras tombo... eu preciso
suplantar este desgosto, eu preciso
chorar em outro ombro.
Tentei te expor, gritar-te, falar-te da dor;
Embalo-me neste estupor... eu sei,
esquecerei um dia que te embalei em amor.
Ápage!


Nenhum comentário: