SOBRE ESTE ESPAÇO

"Este espaço reúne textos escritos ao longo dos anos, todos datados conforme o tempo em que nasceram. Não foram revisitados para correções de sentido ou intenção, pois cada palavra guarda a atmosfera emocional, espiritual e humana do seu próprio momento. O que aqui se apresenta não é uma narrativa linear, tampouco uma versão definitiva de quem escreve. É um percurso. Um registro sensível de atravessamentos, amadurecimentos, silêncios, afetos e travessias. A escrita que habita este lugar nasce do encontro entre poesia, espiritualidade e experiência vivida. Não pretende ensinar, convencer ou explicar — apenas partilhar estados de consciência, imagens e sentimentos que pediram forma. Quem lê é convidado a caminhar sem pressa, respeitando o tempo dos textos e o seu próprio. Algumas palavras são sementes, outras são espelhos. Cada leitura encontrará o que estiver pronta para encontrar."

REFLEXÃO

"Ao permanecer, iluminei. Não para salvar, não para provar, não para ser menos. Iluminei para seguir inteira." Claudia Loureiro

15 outubro, 2009

ANJO DE MIM (Cacau Loureiro)


Quando me sorriste...
Abriu-se um clarão...
E nas sombras que se revelaram
entendi sobre o repouso de que todas
as almas necessitam.
Assim me deixei ficar, sob a árvore
dos doces frutos, do saboroso
amadurecido néctar dos teus lábios.
Em tua aura, entendi das fendas dos
caminhos, dos oásis dos desertos, da
sede insana dos homens livres...
Quando fitei teus olhos...
Abriu-se um clarão...
Descobri que dentro dos seres moram
anjos, anjos de mim, anjos de ti em
profusão a balsamizar os dias tristes.
Quando me tocaste o corpo...
Abriu-se um clarão...
Impingindo em meu espírito a adaga
dos afetos, a lâmina das paixões,
a faca dos desejos, a dádiva dos amores.
Quando me deixaste só...
Abriu-se um clarão...
Da lua que não repousa em meu íntimo,
do céu que grita em profuso em meu
peito, do sol que queima permanente
em minha alma e da saudade que chora
insistente em meus olhos...

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