SOBRE ESTE ESPAÇO

"Este espaço reúne textos escritos ao longo dos anos, todos datados conforme o tempo em que nasceram. Não foram revisitados para correções de sentido ou intenção, pois cada palavra guarda a atmosfera emocional, espiritual e humana do seu próprio momento. O que aqui se apresenta não é uma narrativa linear, tampouco uma versão definitiva de quem escreve. É um percurso. Um registro sensível de atravessamentos, amadurecimentos, silêncios, afetos e travessias. A escrita que habita este lugar nasce do encontro entre poesia, espiritualidade e experiência vivida. Não pretende ensinar, convencer ou explicar — apenas partilhar estados de consciência, imagens e sentimentos que pediram forma. Quem lê é convidado a caminhar sem pressa, respeitando o tempo dos textos e o seu próprio. Algumas palavras são sementes, outras são espelhos. Cada leitura encontrará o que estiver pronta para encontrar."

REFLEXÃO

"Ao permanecer, iluminei. Não para salvar, não para provar, não para ser menos. Iluminei para seguir inteira." Claudia Loureiro

30 setembro, 2022

LUZ DO MUNDO (Cacau Loureiro)

 


No alvorecer de um novo tempo se alastra sobre

a Terra os raios da regeneração!...

É hora de saber que o sangue do Cordeiro não foi

derramado em vão.

Que os tolos postulantes a profetas silenciem, que 

não profanem as promessas do Divino Mestre ante

suas mãos douradas e suas charruas de prata que não

fazem germinar as sementes.

Que aqueles que como praga só espraiam iniquidades 

sobre o solo seco dos que estão cansados, sejam

reprimidos com a espada resplandecente da 

justiça, pois aos olhos apurados de Deus nada passa... 

Ah! Homens de pouca fé!

O céu está em nós, olhemos com olhos de ver,

ouçamos com ouvidos de ouvir, insensatos.

Nos caminhos do Mestre Jesus os frutos do amor

geram arrependimento e perdão, fonte de onde se bebe

do espírito santo a sabedoria inefável.

Que possamos lançar um olhar ao derredor e perceber

o quanto temos sido fariseus, pois o maior entre nós

deveria ser servo.

Homens das casas desertas, edificai o templo do Senhor

pelo exemplo e não pelas ofertas.

O altar dos adornos é o corpo de Cristo onde sua mãe

depositou suas lágrimas... e seu sangue derramado na cruz

purificou os corações e seus ensinamentos de esperança

edificaram os verdadeiros templos para um futuro de paz.

O amado Mestre fez conosco a aliança, pois que Ele é a luz

do mundo e “Sua palavra é lâmpada que ilumina os meus

passos e luz que clareia o meu caminho.”


28 setembro, 2022

ÂNFORA DE PAZ (Cacau Loureiro)

 

Como chuva torrencial o teu amor me recobre, pois,

Tu és o manto balsâmico que cura minha alma...

Minhas mãos traçam os caminhos que como filigrana

marcaste para a minha jornada, por isto não temo

os caminhos dos lobos, tampouco, as penumbras dos

homens sorrateiros, ora inflexíveis em seus chicotes,

ora empedernidos em suas convicções extemporâneas.

As ondas da transformação encharcarão a todos, serão

o sal da terra e o sal das águas a limpar as páginas de

nossas histórias ultrapassadas, pois que nossos espíritos

para te receber de novo terão também que ser renovados.

Portanto, olhemos a frente, vislumbremos as ânforas que

a todo tempo estiveram a permear nossa estrada e até aqui

não enxergamos porque nossa sede não era de saciar-nos

o espírito, mas sim, aplacar nossas vicissitudes do corpo.

Ah! Eu não me esqueci que o teu amor zela por mim!

Da imensidão dos céus, da infinitude das terras Tu me

falas no profundo, minhas aflições Tu apascentas...

meus equívocos regeneras.

O meu âmago Tu transmudas, porquanto, és o Senhor de mim, 

és o Senhor de tudo que nos vivifica no contraditório da vida.

Deixa-me, pois, beber em teu cântaro de paz! Ah! Meu Pai do céu... 

Eu não me esqueci que o teu amor zela por mim!... 

18 setembro, 2022

ELE VIVE (Cacau Loureiro)

 

Os ventos da esperança rasgam sobre as pedras,

agora rasteiros, não refrigeram os peregrinos que

caminham sob o sol escaldante dos desertos humanos.

O oásis que almejamos está como miragem ante as

imensas caravanas da alma humana... cegos, perdidos somos

na amplidão do amor divino ante as areias do tempo.

Viajantes das épocas não compreendemos ainda 

as rotas do coração, fanáticos pela matéria ainda não

deciframos os enigmas do céu.

O espírito humano ainda ignorante não criou as asas da fé

sobranceira que abarca todos os elementos do globo.

Não dimensionamos a mão portentosa que paira sobre 

nossas cabeças espargindo abundantemente perdão e amor.

Sonâmbulos caminhamos como zumbis perante os ensinamentos

do Pai quando sua misericórdia é chuva farta e fértil a entornar

nossos cântaros em todas as direções.

Homens, mulheres, jovens, crianças, anciãos!... Despertemos

para a vida copiosa que habita os inúmeros cânticos que

envolvem o planeta, a música suave que nos restabelece

das feridas e que nos eleva em essência.

Descerremos os olhos e o coração para a luminosidade

que transpassa as nuvens espessas da existência, pois que 

o Divino Mestre vive entre nós.

17 junho, 2022

CALIGEM (Cacau Loureiro)

 

A neblina baixa ante meus olhos, espreito um

caminho diferente... contundente, indecifrável.

O que houve em minha jornada? Um lapso?

Um espaço que se abriu entre o antes e o agora

e me faz sofrer, e faz-me questionar todos os

meus conceitos caducos.

Num tempo em que o mundo se transformou no

caos, o meu cosmo interior clama pela revolução!...

Você eu que nos presumimos donos de tantas

verdades não sobrevivemos a realidade maior.

Pés presos as correntes de um espírito envelhecido

para os novos tempos, visão distorcida para a

amplidão de sentimentos... A expansão do ser

cobra o seu preço para os alienados, os cerceados

de coragem, tantos doentes de juízos vãos.

Entorpecidos estamos nos parênteses que é a cama

mortal dos desvairados, dos cheios de si mesmos.

Perdemos a chave da confiança, naturalizamos as

escolhas aéticas, reféns estamos na mesquinhez

humanoide que deteriora o espírito criador, a

liberdade divina, a ascensão da alma.

A guerra real das reles criaturas na face da Terra não

é mais mortal que o aniquilamento do espírito humano

em si mesmo.

Fechamo-nos para a árvore da vida que nos fez poetas

da eternidade, as máscaras de ferro hoje encerram

nossos sonhos em elos rompidos e corrompidos...

Decrépitos e arqueados para a visão do outro como

nós mesmos, pois, esquecidos de nossas raízes, somos

hoje avatares da escuridão!



01 maio, 2020

PÃO NOSSO (Cacau Loureiro)
















Há um ponto no universo para onde todos os seres 
convergem de onde toda energia celeste promana.
Onde o redivivo constantemente toma e
origina as almas e as toca com todo seu amor.
O sopro divino que existe desde o princípio
dos tempos é manancial criativo inesgotável.
Sua liberdade é soberana ante os podres
poderes constituídos no mundo, pois, no
tempo eterno que só pertence a Ele a
História de todos nós vai sendo burilada com
o cinzel preciso que toca preciosa pedra, posto
que poder e glória são somente seus.
As aves do céu fazem seus voos, mas somente
a união as faz chegar aos seus lares onde seus
ninhos acolhem os jovens filhos da verdadeira
transformação.
Na sinfonia do universo a música que embala
as constelações é a fé, luz incandescente que
rebrilha em todos os cantos da Terra, como
farol para os designados navegantes.
Odes ao dono do mundo, pois sua misericórdia
toca nossos corações com verdade.
As feras que hoje promovem a mortandade,
a fome e a miséria serão estocadas em seus
instintos pelo cajado forte e implacável da justiça.
Porque aquele que tudo criou não descansa, sua
seara constante é zelar por nós em charrua
silenciosa de paz.
Inexiste a luta entre bem e mal, pois o Senhor dos
mundos não barganha poderes, o bem é como bilhões
e bilhões de estrelas que se espraiam pelos céu
iluminando todos os recantos do globo.
As hostes que intentam tomar o poder das nações
serão desnudas ante suas próprias veleidades, pois,
o império dos Homens é ilusão, será o pó sacudido
das sandálias do divino para a sarjeta do esquecimento.
Não haverá forcas, não haverá guilhotinas, não haverá
paredões, nem grades ou grilhões; 
Liberdade e consciência serão seus juízes e as lágrimas
limparão os seus olhos e a verdade sentenciará os seus 
crimes e véus e máscaras cairão como água para suas 
almas sedentas... E verdadeiramente o Pai nosso que está
nos céus será o pão nosso de cada dia alimentando nosso
espírito viajor!...

04 abril, 2020

UMA PRECE (Cacau Loureiro)














Do velho ao novo mundo, do oriente ao ocidente,
dos confins do mundo todos nós elevamos uma prece...
Pai, não nos deixe perecer ante o inimigo invisível;
leva-nos para os montes onde tuas mãos benignas
recebem em graça os filhos teus.
Deitei-me em tua relva por toda a vida e ela foi doce
e perfumada, bálsamo para o meu corpo cansado.
Em todas as línguas também as nações louvaram-te,
pois que ainda bilhões de almas clamam e vivem por ti.
Olha teus filhos... procissões mórbidas ante as luzes do
progresso suscitam lágrimas que jamais serão esquecidas.
Eu confio em teus desígnios, eu entendo suas razões...
queria ser sobre-humano para sustentar e suster tantas dores.
O tempo se encurta do calvário aos dias de hoje, como
comparar uma humanidade em padecimento?!...
Quero cantar bem alto tantos hinos, quero recitar tão alto
tantos salmos... mas o coração soluça, sobressalta-se.
Ante nossos olhos que testemunham, governos
ambiciosos, hostes maléficas travestidas de gente
dando ordens sem poderio ante sua infinita justiça.
Por séculos e séculos sabemos o quanto pecamos,
por séculos sedentos buscamos-te... pois ainda
queremos Te encontrar, entender no profundo
suas parábolas... com humildade tocar tuas vestes.
Sob o sol poente do calvário elevamos-te uma
prece... Poderoso Deus tende piedade de nós!...

25 março, 2020

EU CONFIO (Cacau Loureiro)


]














Eu confio no Senhor dos tempos...
Posto que Ele seja princípio, meio e fim.
Em Suas mãos coloco meu espírito quebrantado
porque seu sopro vivificou-me a alma e seus
desígnios também permeiam meus passos
porque sua criatura sou.
Ele está entre nós, nas crianças inocentes que sorriem
em cada lar, nas que choram... nas ruas e esquinas
desse louco mundo.
Está Ele entre nossos anciãos que perecem, mas que
estão sob seu cajado de misericórdia, em amor e em bondade.
Confio no Pai, não esqueci que o Seu amor zela por mim,
zela por nós.
Eu confio no Senhor dos tempos...
Posto que Ele seja alfa e ômega, também lagar
onde o seu supra-sumo permanece em nós,
está naqueles que vivem em sua glória
pela solidariedade entre os seres, pela
compaixão que aprendemos há mais de dois
mil anos com sua passagem na terra.
Nada se compara ao Gólgota, estamos como
soldados sob sua ordem e aguardamos
pelo teu manto de refrigério, pelo teu perdão,
pelo teu imenso amor...
E seguiremos Pai amoroso os teus ensinamentos
mesmo que nos últimos tempos os tenhamos
esquecido na correria do efêmero, nas lutas do dia a dia
sem saber que só se vence a luta sob sua égide
santificada, sob seu cajado poderoso, sob a força
do seu Verbo Criador. Amém!

01 fevereiro, 2020

ESTRATIFICAÇÃO (Cacau Loureiro)
















Há amargura nos dias que avançam...
A poesia estanque resseca consumida pelas
areias do tempo... tempo que não volta,
tempo que não vem.
Sinto música melancólica nos becos onde
Nada distingo... nada escuto... nada ouço... 
Esforço-me para aguçar todos os sentidos, os
passos lentos são contraponto na pressa que
recorta o mundo, a vida que passa apressada
ante meus olhos assustadiços.
Lá no caos das estrelas desapontadas eu
busco um lampejo de luz, um feixe que
erga o meu corpo, levante meus sonhos.
Ah... minhas raízes buscam a seara de um
passado saudosista e neste intento elas
retorcem-se, curvam-se doloridas nos
meandros desta terra em que tenho combatido.
Ah!... meu peito e minhas mãos precipitados 
não dão sossego ao meu espírito combalido.
Ouço cânticos aflitivos vindo de toda parte
e dentro de mim eles ecoam intentando
despertar-me para outra janela onde eu
encontre face a face o sol das palavras.