Cerrou-se um véu sobre minha juventude...
Não mais olharei para trás com os mesmos
olhos; nas teias do passado envelhecido
apanho conceitos arcaicos, retorcidos como
raízes em seu estágio terminal, para queimar
na fogueira.
Há uma fênix escondida nos vinhedos, onde
o vinho ainda está em broto verde no tanino
das colinas... pedregosos caminhos que dão
sabor aos mananciais da alma: pleno voo de
coragem.
Entre montanhas, a fumaça que consumiu lapsos,
chama ardente que calcinou tudo, mas não se
extinguiu nem em cera, nem em pavio.
O vento sopra mudanças, rascante é a verdade;
estopim é a caminhada que vai deixando sinais,
cinzelando carne, ossos e músculos.
Sob tênue luz eu preparo recomeços, lagar em
que macero frutos sob os pés, sangue novo
a dar sabor à vida.
Os raios da manhã acordam minhas órbitas,
não preciso ir tão longe para saber algumas
sendas; a rajada forte puxou meus cabelos,
revolvi memórias... delibo a vida, pois essas
paisagens do agora me serão eternas...

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