SOBRE ESTE ESPAÇO

LÍRICOS OLHARES

LÍRICOS OLHARES é um espaço dedicado à poesia, à palavra e ao pensamento. Um lugar onde sentimentos, memórias, experiências e reflexões encontram na escrita uma forma de expressão e permanência.

Criado como um encontro entre a sensibilidade e a observação da vida, o blog reúne poemas e textos que percorrem os caminhos do humano: seus afetos, inquietações, descobertas, ausências, encontros e transformações.

Aqui, a palavra não é apenas escrita; é presença, diálogo e possibilidade de olhar para dentro e para fora. Cada texto nasce do desejo de compreender a complexidade da existência e de transformar vivências em versos, narrativas e reflexões.

Líricos Olhares é um convite à pausa em meio à pressa cotidiana. Um espaço para quem acredita que a poesia ainda tem o poder de tocar, despertar sentidos e criar pontes entre histórias diferentes.

Entre palavras, silêncios e pensamentos, este blog permanece como uma travessia pela delicadeza da vida e pela infinita riqueza da experiência humana.

REFLEXÃO

"Ao permanecer, iluminei.
Não para salvar, não para provar,
não para ser menos.
Iluminei para seguir inteira."

Claudia Loureiro

28 abril, 2026

VÉU E VINHO (Cacau Loureiro)

 

Cerrou-se um véu sobre minha juventude...

Não mais olharei para trás com os mesmos

olhos; nas teias do passado envelhecido

apanho conceitos arcaicos, retorcidos como

raízes em seu estágio terminal, para queimar

na fogueira.

 

Há uma fênix escondida nos vinhedos, onde

o vinho ainda está em broto verde no tanino

das colinas... pedregosos caminhos que dão

sabor aos mananciais da alma: pleno voo de

coragem.

 

Entre montanhas, a fumaça que consumiu lapsos,

chama ardente que calcinou tudo, mas não se

extinguiu nem em cera, nem em pavio.

 

O vento sopra mudanças, rascante é a verdade;

estopim é a caminhada que vai deixando sinais,

cinzelando carne, ossos e músculos.

 

Sob tênue luz eu preparo recomeços, lagar em

que macero frutos sob os pés, sangue novo

a dar sabor à vida.

 

Os raios da manhã acordam minhas órbitas,

não preciso ir tão longe para saber algumas

sendas; a rajada forte puxou meus cabelos,

revolvi memórias... delibo a vida, pois essas

paisagens do agora me serão eternas...

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