Ouço essa canção bonita
que me alcança a alma…
Ela revolve a poeira dos meus porões,
desloca tudo do lugar
e me conduz às dimensões
do que foi belo em minha jornada.
Soltei ao vento
as caminhadas mais difíceis.
Não havia como carregar
as estacas do irascível
como mochilas que me travavam
diante das montanhas
das minhas buscas interiores.
Quis trazer para perto
aqueles que, como eu,
já haviam sangrado tanto…
porque já não me permitia
sangrar diante dos que
escolheram outros atalhos.
Perante os combates brutais,
essa música sempre me visitou…
recolhendo-me ao silêncio
para não revidar
as incongruências.
Nos ecos da ira,
sacrifiquei as palavras.
Moinhos a extrair pedras das águas
que, ainda assim,
purificaram meu espírito.
A vida é uma dança tão complexa:
cada um sente o ritmo
conforme o preparo do corpo,
seja material ou imaterial.
Sentir a música da existência
é rodopiar a alma
na ponta da lâmina dos caminheiros,
lanhos que nos burilam
para o grande baile do caos
e nos fazem peregrinos do eterno.
E, entre sedas, cetins e diamantes…
convidar o humano em nós
para esta imperfeita contradança.

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