SOBRE ESTE ESPAÇO

"Este espaço reúne textos escritos ao longo dos anos, todos datados conforme o tempo em que nasceram. Não foram revisitados para correções de sentido ou intenção, pois cada palavra guarda a atmosfera emocional, espiritual e humana do seu próprio momento. O que aqui se apresenta não é uma narrativa linear, tampouco uma versão definitiva de quem escreve. É um percurso. Um registro sensível de atravessamentos, amadurecimentos, silêncios, afetos e travessias. A escrita que habita este lugar nasce do encontro entre poesia, espiritualidade e experiência vivida. Não pretende ensinar, convencer ou explicar — apenas partilhar estados de consciência, imagens e sentimentos que pediram forma. Quem lê é convidado a caminhar sem pressa, respeitando o tempo dos textos e o seu próprio. Algumas palavras são sementes, outras são espelhos. Cada leitura encontrará o que estiver pronta para encontrar."

REFLEXÃO

"Ao permanecer, iluminei. Não para salvar, não para provar, não para ser menos. Iluminei para seguir inteira." Claudia Loureiro

15 abril, 2026

BAILE DO CAOS (Cacau Loureiro)


Ouço essa canção bonita

que me alcança a alma…

 

Ela revolve a poeira dos meus porões,

desloca tudo do lugar

e me conduz às dimensões

do que foi belo em minha jornada.

 

Soltei ao vento

as caminhadas mais difíceis.

Não havia como carregar

as estacas do irascível

como mochilas que me travavam

diante das montanhas

das minhas buscas interiores.

 

Quis trazer para perto

aqueles que, como eu,

já haviam sangrado tanto…

porque já não me permitia

sangrar diante dos que

escolheram outros atalhos.

 

Perante os combates brutais,

essa música sempre me visitou…

recolhendo-me ao silêncio

para não revidar

as incongruências.

 

Nos ecos da ira,

sacrifiquei as palavras.

Moinhos a extrair pedras das águas

que, ainda assim,

purificaram meu espírito.

 

A vida é uma dança tão complexa:

cada um sente o ritmo

conforme o preparo do corpo,

seja material ou imaterial.

 

Sentir a música da existência

é rodopiar a alma

na ponta da lâmina dos caminheiros,

lanhos que nos burilam

para o grande baile do caos

e nos fazem peregrinos do eterno.

 

E, entre sedas, cetins e diamantes…

convidar o humano em nós

para esta imperfeita contradança.

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