SOBRE ESTE ESPAÇO

❦ LÍRICOS OLHARES ❦

Este é um espaço dedicado à poesia, à palavra e ao pensamento. Um lugar onde sentimentos, memórias, experiências e reflexões encontram na escrita uma forma de expressão e permanência.

Criado como um encontro entre a sensibilidade e a observação da vida, o blog reúne poemas e textos que percorrem os caminhos do humano: seus afetos, inquietações, descobertas, ausências, encontros e transformações.

Aqui, a palavra não é apenas escrita; é presença, diálogo e possibilidade de olhar para dentro e para fora. Cada texto nasce do desejo de compreender a complexidade da existência e de transformar vivências em versos, narrativas e reflexões.

Este olhar é um convite à pausa em meio à pressa cotidiana. Um espaço para quem acredita que a poesia ainda tem o poder de tocar, despertar sentidos e criar pontes entre histórias diferentes.

Entre palavras, silêncios e pensamentos, este blog permanece como uma travessia pela delicadeza da vida e pela infinita riqueza da experiência humana.


Ao permanecer, iluminei.
Não para salvar, não para provar,
não para ser menos.
Iluminei para seguir inteira.

— Claudia Loureiro

07 abril, 2026

TRILHOS DE SANGUE (Cacau Loureiro)

Passageiros...


Somente os purgados de coração saberão

para onde vão.


Estações de lágrimas escorrem pelos

trilhos, sem saber ao certo seus destinos…

Guerra, ódio, dissensões.


Os barulhos das engrenagens nos deixaram

surdos ante os gritos dos degredados

das terras das emoções — solo vazio de

corpos ocos.


Encarcerados em suas cavernas, as sombras

lhes desenham ilusões — quem ousará olhar

para trás ou vislumbrar saídas?


O fogo lançou a humanidade ao futuro,

mas nossos corações, primitivos, tateiam

paredes de barro e pedra, esquecendo o

essencial à construção de espíritos aprumados.


Quando nos levantaremos da lama que,

em vez de curar nossas cegueiras,

nos tornou obtusos às boas intenções?


Passageiros a arrastar bagagens de aflições,

deixando pelos caminhos rastros de almas

inanes, enrustidas na fome de poder absoluto.


No calvário humano, o estandarte

das têmperas covardes fez-se lança venenosa

e, como flechas mortíferas lançadas ao alto,

transpassou, em sangue, os próprios corações.


Passageiros das eras, somos todos

catapultas da destruição.

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