SOBRE ESTE ESPAÇO

❦ LÍRICOS OLHARES ❦

Este é um espaço dedicado à poesia, à palavra e ao pensamento. Um lugar onde sentimentos, memórias, experiências e reflexões encontram na escrita uma forma de expressão e permanência.

Criado como um encontro entre a sensibilidade e a observação da vida, o blog reúne poemas e textos que percorrem os caminhos do humano: seus afetos, inquietações, descobertas, ausências, encontros e transformações.

Aqui, a palavra não é apenas escrita; é presença, diálogo e possibilidade de olhar para dentro e para fora. Cada texto nasce do desejo de compreender a complexidade da existência e de transformar vivências em versos, narrativas e reflexões.

Este olhar é um convite à pausa em meio à pressa cotidiana. Um espaço para quem acredita que a poesia ainda tem o poder de tocar, despertar sentidos e criar pontes entre histórias diferentes.

Entre palavras, silêncios e pensamentos, este blog permanece como uma travessia pela delicadeza da vida e pela infinita riqueza da experiência humana.


Ao permanecer, iluminei.
Não para salvar, não para provar,
não para ser menos.
Iluminei para seguir inteira.

— Claudia Loureiro

14 abril, 2026

SEIVA E ALMA (Cacau Loureiro)


Entre folhas e frutos,

perfumo minhas mãos...

 

Nos cheiros que me chegam às narinas,

aspirar é também compreender:

há algo que me preenche

e me soergue.

 

Mãos generosas guardam néctares

capazes de reavivar espíritos fatigados.

E eu não sei por que

essa estrada que sigo

tanto me cansa.

 

Ainda assim, planto.

 

Planto sementes

com cheiro de flor,

sementes que darão polpa

a todo fruto bom.

 

Na sombra, descanso

deste mundo

de ruídos confusos

e pessoas distraídas...

 

A natureza,

mãe da mansidão,

nos cura no silêncio.

 

E, em sua abundância,

nos ensina:

a vida não cessa,

apenas continua

a ofertar suas promessas.

 

Então eu paro o tempo,

olhos a contemplar os

mínimos movimentos

de galhos e pistilos.

 

E me faço criança

sob árvores frondosas,

onde a seiva é densa

nesses caminhos invisíveis.

 

Ali, planto meus pés na terra.

Ali, revigoro o meu coração.

 

À beira de um rio caudaloso,

minha alma frutifica;

e aprende

a esperar

com convicção.

 

Porque o tempo

é Senhor

de todas as coisas...

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