SOBRE ESTE ESPAÇO

"Há palavras que nascem para explicar. Outras, apenas para tocar. Este é um lugar de travessias. Aqui repousam poemas, reflexões e fragmentos de vida escritos ao longo dos anos, preservados no tempo em que surgiram, como quem guarda cartas antigas ou fotografias da alma. Não escrevo para ensinar verdades nem para oferecer respostas prontas. Escrevo para compreender os caminhos, os encontros, as ausências, os recomeços e os silêncios que nos transformam. A poesia é a linguagem que encontrei para dialogar com o invisível, com a memória, com os afetos e com tudo aquilo que insiste em florescer dentro de nós. Seja bem-vindo. Caminhe sem pressa. Algumas palavras são abrigo. Outras são espelho. Talvez alguma delas tenha esperado por você. Claudia Loureiro."

REFLEXÃO

"Ao permanecer, iluminei. Não para salvar, não para provar, não para ser menos. Iluminei para seguir inteira." Claudia Loureiro

06 abril, 2026

MENESTREL DO TEMPO (Cacau Loureiro)

 

Hoje saí às ruas… coloquei meus tênis antigos,

fui ver as paisagens inspiradoras das manhãs…

O velho gritava em meu âmago, mas amarrei os

cadarços, prendi-os às pegadas do que já não

me serve nem me move.


Vencer mais um dia para mim já não é

desafio… pessoas, sim, me desafiam,

são como palmilhas do que beira o risível.

Mas eu sempre recomeço, assim como o sol,

sejam dias claros ou sombrios.


Marquei em meu calendário os segundos.

Ando com pressa, mas com os olhos atentos

ao que se passa em derredor;

meu coração aedo insiste ainda em fazer rimas,

intentando esmaecer os absurdos.


Há um tempo para todas as coisas, embora

o meu lapso se estenda para além desse solo

que piso, dessas nuvens que passam.


Olho meu rosto no espelho e vejo a criança

célere a correr pelos quintais da existência.

E há algo tão bonito nisso que me espelha...


Não sei por que as músicas me invadem o plexo

e me impulsionam a escrever sobre letras mortas,

num exercício contínuo de reavivá-las:

é o meu próprio renascimento como ser.


Nas minhas andanças, meu peito se abre

aos toques do que é incorpóreo, sutilezas

do etéreo. Assim percebo que o menestrel

da vida é o tempo-presente.

É ele que nos devolve a humanidade.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Este é um espaço de criação e partilha literária.
Comentários são acolhidos quando dialogam com o texto e com a experiência de leitura.

Todas as mensagens passam por mediação.
Conteúdos de natureza pessoal ou relativos à vida privada não são publicados aqui — para preservar a delicadeza entre obra e intimidade.

Gratidão pela leitura sensível.