As esquinas correm ante meus olhos,
busca insana que faço para me encontrar,
onde ficou o que deixei pelo caminho?
Ante as imagens que correm, eu agora
sigo devagar, mas minha verve intranquila
ainda busca as estradas; ainda conta as
estrelas que me seguem do alto, no vão
do tempo que deixei para trás.
Todas as músicas a moverem meus olhos
e músculos, em cinestesia, que me faz sentir
mais fundo, faz-me querer ir mais alto
e meu espírito vai além.
Vozes fazem as cantorias em meus sonhos,
cantares, louvações para a vida que há de
vir, embalando o sol em meus dias luzidios.
Sim, porque me seguem os feixes de luz
que me tecem as palavras, onde o meu
corpo anda em poesia, onde meus lábios,
em preces, abrem caminhos — minha alma
mergulha nessas águas batismais.
Vou ao mar, respiros das forças naturais,
minhas plantas na areia; oferendas do céu vêm
e vão… lavam meus pés, refrigeram meu
espírito — assim levo o vento em minhas mãos…
No seio farto da natureza, eu fico a pensar…
Há um Deus que é mulher.

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