SOBRE ESTE ESPAÇO

❦ LÍRICOS OLHARES ❦

Este é um espaço dedicado à poesia, à palavra e ao pensamento. Um lugar onde sentimentos, memórias, experiências e reflexões encontram na escrita uma forma de expressão e permanência.

Criado como um encontro entre a sensibilidade e a observação da vida, o blog reúne poemas e textos que percorrem os caminhos do humano: seus afetos, inquietações, descobertas, ausências, encontros e transformações.

Aqui, a palavra não é apenas escrita; é presença, diálogo e possibilidade de olhar para dentro e para fora. Cada texto nasce do desejo de compreender a complexidade da existência e de transformar vivências em versos, narrativas e reflexões.

Este olhar é um convite à pausa em meio à pressa cotidiana. Um espaço para quem acredita que a poesia ainda tem o poder de tocar, despertar sentidos e criar pontes entre histórias diferentes.

Entre palavras, silêncios e pensamentos, este blog permanece como uma travessia pela delicadeza da vida e pela infinita riqueza da experiência humana.


Ao permanecer, iluminei.
Não para salvar, não para provar,
não para ser menos.
Iluminei para seguir inteira.

— Claudia Loureiro

15 abril, 2026

IRREVERSO (Cacau Loureiro)

 


Apago as luzes…
e as cortinas pesadas
sussurram diálogos desconexos.

Quantas interrogações deixamos
para depois…
se todas as respostas
já se anunciam em silêncio.

A minha medida
jamais será a do outro.

Caminhei só
por meus próprios caminhos…
e a solidão, em voz alta,
desdiz tantas certezas.

A mente viaja —
território extraordinário
onde sigo ao lado
de um estranho que sou.

Ecoam por dentro
sons que me atravessam,
levando-me de um lado a outro…
e a vida dança,
insistindo em mais.

Passos no infinito do ser,
descompassados
pelas dicotomias da alma.

Semicerro os olhos…
para suavizar a luz
que invade minhas sombras.
Por que, ainda, evito os clarões
que me revelam veredas?

Deixo as bagagens
em seus devidos lugares.
Lanço um último olhar
ao que fui
e sigo.

Jamais retornarei.

Entro no trem da vida…
o agudo apito, a fumaça;
parto para, enfim, ser irreversivelmente
de verdade.

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