SOBRE ESTE ESPAÇO

"Há palavras que nascem para explicar. Outras, apenas para tocar. Este é um lugar de travessias. Aqui repousam poemas, reflexões e fragmentos de vida escritos ao longo dos anos, preservados no tempo em que surgiram, como quem guarda cartas antigas ou fotografias da alma. Não escrevo para ensinar verdades nem para oferecer respostas prontas. Escrevo para compreender os caminhos, os encontros, as ausências, os recomeços e os silêncios que nos transformam. A poesia é a linguagem que encontrei para dialogar com o invisível, com a memória, com os afetos e com tudo aquilo que insiste em florescer dentro de nós. Seja bem-vindo. Caminhe sem pressa. Algumas palavras são abrigo. Outras são espelho. Talvez alguma delas tenha esperado por você. Claudia Loureiro."

REFLEXÃO

"Ao permanecer, iluminei. Não para salvar, não para provar, não para ser menos. Iluminei para seguir inteira." Claudia Loureiro

15 abril, 2026

IRREVERSO (Cacau Loureiro)

 


Apago as luzes…
e as cortinas pesadas
sussurram diálogos desconexos.

Quantas interrogações deixamos
para depois…
se todas as respostas
já se anunciam em silêncio.

A minha medida
jamais será a do outro.

Caminhei só
por meus próprios caminhos…
e a solidão, em voz alta,
desdiz tantas certezas.

A mente viaja —
território extraordinário
onde sigo ao lado
de um estranho que sou.

Ecoam por dentro
sons que me atravessam,
levando-me de um lado a outro…
e a vida dança,
insistindo em mais.

Passos no infinito do ser,
descompassados
pelas dicotomias da alma.

Semicerro os olhos…
para suavizar a luz
que invade minhas sombras.
Por que, ainda, evito os clarões
que me revelam veredas?

Deixo as bagagens
em seus devidos lugares.
Lanço um último olhar
ao que fui
e sigo.

Jamais retornarei.

Entro no trem da vida…
o agudo apito, a fumaça;
parto para, enfim, ser irreversivelmente
de verdade.

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