SOBRE ESTE ESPAÇO

"Este espaço reúne textos escritos ao longo dos anos, todos datados conforme o tempo em que nasceram. Não foram revisitados para correções de sentido ou intenção, pois cada palavra guarda a atmosfera emocional, espiritual e humana do seu próprio momento. O que aqui se apresenta não é uma narrativa linear, tampouco uma versão definitiva de quem escreve. É um percurso. Um registro sensível de atravessamentos, amadurecimentos, silêncios, afetos e travessias. A escrita que habita este lugar nasce do encontro entre poesia, espiritualidade e experiência vivida. Não pretende ensinar, convencer ou explicar — apenas partilhar estados de consciência, imagens e sentimentos que pediram forma. Quem lê é convidado a caminhar sem pressa, respeitando o tempo dos textos e o seu próprio. Algumas palavras são sementes, outras são espelhos. Cada leitura encontrará o que estiver pronta para encontrar."

REFLEXÃO

"Ao permanecer, iluminei. Não para salvar, não para provar, não para ser menos. Iluminei para seguir inteira." Claudia Loureiro

21 abril, 2026

BENDITO VINHO (Cacau Loureiro)


Há batidas de alegria em minha porta,

a brisa sussurra bendita música

em minhas horas mortas e eu colho

o cheiro dos teus cabelos...

 

Minha alma dança...

no ritmo das coisas simples e bonitas que

em ti transbordam, em perfumes e notas.

 

Em teu charme debruçado na janela,

teu sorriso me convida, e sigo

nos movimentos dos teus braços,

marcados em minhas lembranças

de tantas noites belas,

 

porque és também amanhecer translúcido

nos dias que me foram nublados, e agora

ressurjo em lampejos coloridos.

 

Tua chuva abundante

escorre em meus lábios e pernas,

beijo exigente que me toma após

tudo que tocaste em mim e deixaste

gravado em minhas mandalas.

 

Teu nome vem das estrelas,

acende constelações em meu peito,

viagem que faço de olhos vendados,

 

pois mergulhar às cegas é preciso

para não saber

o quão fundo posso chegar

nessa rosácea embriaguez.

 

Sem armadura, coração destemido,

eu posso sangrar entre aromas e buquês

do teu corpo seleto.

 

Porque somente sangria e vinho

me permitem sentir

o real sabor da vida

que ora habita em mim.

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