SOBRE ESTE ESPAÇO

❦ LÍRICOS OLHARES ❦

Este é um espaço dedicado à poesia, à palavra e ao pensamento. Um lugar onde sentimentos, memórias, experiências e reflexões encontram na escrita uma forma de expressão e permanência.

Criado como um encontro entre a sensibilidade e a observação da vida, o blog reúne poemas e textos que percorrem os caminhos do humano: seus afetos, inquietações, descobertas, ausências, encontros e transformações.

Aqui, a palavra não é apenas escrita; é presença, diálogo e possibilidade de olhar para dentro e para fora. Cada texto nasce do desejo de compreender a complexidade da existência e de transformar vivências em versos, narrativas e reflexões.

Este olhar é um convite à pausa em meio à pressa cotidiana. Um espaço para quem acredita que a poesia ainda tem o poder de tocar, despertar sentidos e criar pontes entre histórias diferentes.

Entre palavras, silêncios e pensamentos, este blog permanece como uma travessia pela delicadeza da vida e pela infinita riqueza da experiência humana.


Ao permanecer, iluminei.
Não para salvar, não para provar,
não para ser menos.
Iluminei para seguir inteira.

— Claudia Loureiro

19 janeiro, 2010

SALMO TERCEIRO (Cacau Loureiro)

Para o ninho das serpentes não há legado,
Há o fogo consumidor que esteriliza tudo,
Pois a mão que toma o que não lhe pertence
É cortada implacavelmente.
Para o fanal que do céu provém não há riqueza que
O compre, não há olhos entravados que o possa
Ver, passa fome mesmo comendo o pão.
A noite baixa austera para o que rouba a coisa alheia
Porque nada foge a perspicácia do Criador.
A misericórdia do que habita o altíssimo é infinita,
Porém sua austeridade é para todo o sempre, ai
Daquele que ostenta sua vaidade no varal das iniquidades,
Pois que não haverá lençol suficiente para conter as suas
lágrimas.
O bem viceja a olhos vistos, contudo o mal se propaga
No subterrâneo, mas o justo dos justos revolve a
Terra e mostra sob a claridade os imundos desta
Aldeia e os seus prantos não O sensibiliza e a sua
Justiça é inexorável.
Homens retos preparem suas bocas para o alimento
Da renovação, fazei reverberar um cântico de
Fé e humildade, pois só aquele que ferve na fé
E na benevolência prova do mais doce fruto.
O eterno tudo vê, tudo sabe, tudo ouve, tudo
Dirige e com seu poder faz nova vida de árvore estéril,
Faz humilhado o que se levanta contra seu semelhante,
Faz calar a voz da do perverso e do detrator, abre
Caminho com suas poderosas mãos em plantio de
Ervas daninhas; cuidai das palavras insanas homens
De falsas aparências, as máscaras lhes serão arrancadas
A ferro e fogo. Posto que a voz do Senhor ressoa por
Todo O Universo fazendo pelo seu verbo sagrado a
Profunda transformação do maldizente leviano.

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