SOBRE ESTE ESPAÇO

❦ LÍRICOS OLHARES ❦

Este é um espaço dedicado à poesia, à palavra e ao pensamento. Um lugar onde sentimentos, memórias, experiências e reflexões encontram na escrita uma forma de expressão e permanência.

Criado como um encontro entre a sensibilidade e a observação da vida, o blog reúne poemas e textos que percorrem os caminhos do humano: seus afetos, inquietações, descobertas, ausências, encontros e transformações.

Aqui, a palavra não é apenas escrita; é presença, diálogo e possibilidade de olhar para dentro e para fora. Cada texto nasce do desejo de compreender a complexidade da existência e de transformar vivências em versos, narrativas e reflexões.

Este olhar é um convite à pausa em meio à pressa cotidiana. Um espaço para quem acredita que a poesia ainda tem o poder de tocar, despertar sentidos e criar pontes entre histórias diferentes.

Entre palavras, silêncios e pensamentos, este blog permanece como uma travessia pela delicadeza da vida e pela infinita riqueza da experiência humana.


Ao permanecer, iluminei.
Não para salvar, não para provar,
não para ser menos.
Iluminei para seguir inteira.

— Claudia Loureiro

05 janeiro, 2010

ELES USAM BLACK TIE (Cacau Loureiro)


Que discursos são estes que sempre ouvi em meu trajeto?!
São os homens na balbúrdia e nos grilhões de seus egoísticos
projetos...

Seguem lentos, vivem a esmo... pedem donativos.
Por onde anda o que se chama integridade, discernimento?!
Os seres marcham e professam suas santidades; pisam as
cabeças, consomem o tempo; extinguem seus pulsos.
Os ventos que os trouxeram veem de esferas diminutas
à própria Terra.
A lama é o que tempera os seus bustos sempre ocos,
sempre estreitos, pois que no centro dos seus peitos
nunca existiu um coração, fundem-se ali a pedra e a fera.
A onda que os acompanha é feroz, mas passageira, posto
que o que não dignifica não permanece.
Eles professam a falsidade com suas falas mansas, seus
cabisbaixos olhares; seus gestos sutis são artifícios para
se servirem do vencedor.
Estas criaturas passeiam por todo lado, num ir e vir
de torturas e hipocrisias. Os seus escudos são as
dissimulações chorosas, constantes. Usam gravatas,
longos vestidos, bebem os óbulos em copos de
espumante escárnio na própria lapela.
Elas sabem chorar e vertem lágrimas, elas sabem
pedir, vivem de esmolas; elas sabem enganar,
também sorriem: elas sabem retórica, pois são
ventríloquos; elas sabem versar sobre liberdade e
vivem sendo manipuladas, por seus ouvidos são
constantemente emprenhadas...
Assim descobri estranhamente que o diabo veste black tie
e com certeza usa Prada!

Um comentário:

Este é um espaço de criação e partilha literária.
Comentários são acolhidos quando dialogam com o texto e com a experiência de leitura.

Todas as mensagens passam por mediação.
Conteúdos de natureza pessoal ou relativos à vida privada não são publicados aqui — para preservar a delicadeza entre obra e intimidade.

Gratidão pela leitura sensível.