SOBRE ESTE ESPAÇO

"Este espaço reúne textos escritos ao longo dos anos, todos datados conforme o tempo em que nasceram. Não foram revisitados para correções de sentido ou intenção, pois cada palavra guarda a atmosfera emocional, espiritual e humana do seu próprio momento. O que aqui se apresenta não é uma narrativa linear, tampouco uma versão definitiva de quem escreve. É um percurso. Um registro sensível de atravessamentos, amadurecimentos, silêncios, afetos e travessias. A escrita que habita este lugar nasce do encontro entre poesia, espiritualidade e experiência vivida. Não pretende ensinar, convencer ou explicar — apenas partilhar estados de consciência, imagens e sentimentos que pediram forma. Quem lê é convidado a caminhar sem pressa, respeitando o tempo dos textos e o seu próprio. Algumas palavras são sementes, outras são espelhos. Cada leitura encontrará o que estiver pronta para encontrar."

REFLEXÃO

"Ao permanecer, iluminei. Não para salvar, não para provar, não para ser menos. Iluminei para seguir inteira." Claudia Loureiro

21 dezembro, 2023

O QUE ME COUBE (Cacau Loureiro)


Eu fiz um verso único no único trajeto que me coube...

Nos olhos a poeira do caminho, as pedras da estrada na

alma, lágrimas a molhar a terra fria, meus pés em solo árido

não via germinar novas sementes.

Ah! Eu busquei o sol para clarear os meus dias sombrios,

desci ao tártaro encovado, trevas onde conheci os ingratos.

Mas, um coração aberto, livre, sempre terá forças para lutar,

subsistir aos incautos porque a arena da transformação é

uma ordem imperativa do existir!...

Eu plantei uma rosa única no único canteiro que me coube...

Espinhos nos membros, mãos machucadas, águas a sumirem-se

na areia quente, toquei em plantas venenosas, parasitas a

impedirem os brotos novos. Mas, um espirito impetuoso segue

sua própria empreitada e a decisão foi partir.

Ah! Eu busquei um sorriso novo para iluminar minhas noites

tenebrosas, conheci os abismos dos homens, sombras onde

conheci a solidão dos espectros. Mas, um coração franco,

honesto, sempre terá coragem para insistir, sobreviver porque

no anfiteatro da vida, a esperança é uma ordem que nunca

devemos deixar de seguir.

Eu fiz um poema único na única folha que me coube...

Peito vazio, alma triste, pranto a encharcar a minha cara lavada.

Ah! Eu busquei o céu para preencher os meus dias solitários...

Fitei teus olhos, peguei em tuas mãos... Estrelas eu vi nas noites

escuras, a lua desceu e prateou lagos profundos, adentrou florestas

perigosas, mas, fez nascer manhãs novas, auroras onde repousou

este sol maior... e a chuva passou.

Nas trilhas dos sinceros afetos o que me coube foi o teu amor!

Um comentário:

  1. Belo e profundo! Parabéns!

    Abraçoos, um Feliz Natal e um Ano Novo com muito amor, paz e felicidades para ti e para os teus.

    Furtado

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