SOBRE ESTE ESPAÇO

"Este espaço reúne textos escritos ao longo dos anos, todos datados conforme o tempo em que nasceram. Não foram revisitados para correções de sentido ou intenção, pois cada palavra guarda a atmosfera emocional, espiritual e humana do seu próprio momento. O que aqui se apresenta não é uma narrativa linear, tampouco uma versão definitiva de quem escreve. É um percurso. Um registro sensível de atravessamentos, amadurecimentos, silêncios, afetos e travessias. A escrita que habita este lugar nasce do encontro entre poesia, espiritualidade e experiência vivida. Não pretende ensinar, convencer ou explicar — apenas partilhar estados de consciência, imagens e sentimentos que pediram forma. Quem lê é convidado a caminhar sem pressa, respeitando o tempo dos textos e o seu próprio. Algumas palavras são sementes, outras são espelhos. Cada leitura encontrará o que estiver pronta para encontrar."

REFLEXÃO

"Ao permanecer, iluminei. Não para salvar, não para provar, não para ser menos. Iluminei para seguir inteira." Claudia Loureiro

08 janeiro, 2024

SITIADA (Cacau Loureiro)

Eu abracei a saudade com respeito, nesta vida não há

nada que se possa dispensar...

Nas ondas desses mares que me fizeste conhecer, suas

ondas bateram em meu peito, em minha verve sedenta

desta viagem de caminhos luminosos em teu singular por

de sol... onde a prateada arrebentação agora, de fato, me

apresenta o satélite que pousou em teus olhos e mareou este

meu coração circundado de pedras... das conchas vazias e de

barulhos imensos que me ensinam a música do teu universo

risonho, criança grande de sonhos.

Horizonte e águas salgadas são tão próximos, amigos irmãos

marinheiros das distâncias, navegantes do além mar...

Há uma cantiga a ressoar em meus ouvidos onde o vento cria

seus ritmos em meu rosto, em minha pele, em meu corpo.

Eu deposito oferendas neste oceano de apegos, por onde todas

as canções da areia são versos para ti... e há as flores perfumadas

que correm para os teus braços, e há os ramalhetes de afeto que

me levam ao teu calor, às tuas águas ardentes, candentes, cheias.

Avisto o céu neste silêncio-solidão da lua, lá há apenas uma estrela

que me traz o teu sorriso estrondoso como fogos de artifício em noite

de festivo réveillon.

Profundos são os caminhos dos espelhos d’água que intercalam

mergulhos e transições do tempo nas águas revoltas das lembranças...

A esmo eu ando morrendo de saudade, ando correndo dessa sitiada

cidade indo ao encontro a ausência que me lava a cara, não a alma...

Tantos verões adormeceram em mim pra te acordar em saudades,

num futuro que já despertou em meu ser a tua presença agora

inesquecível!

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