SOBRE ESTE ESPAÇO

"Este espaço reúne textos escritos ao longo dos anos, todos datados conforme o tempo em que nasceram. Não foram revisitados para correções de sentido ou intenção, pois cada palavra guarda a atmosfera emocional, espiritual e humana do seu próprio momento. O que aqui se apresenta não é uma narrativa linear, tampouco uma versão definitiva de quem escreve. É um percurso. Um registro sensível de atravessamentos, amadurecimentos, silêncios, afetos e travessias. A escrita que habita este lugar nasce do encontro entre poesia, espiritualidade e experiência vivida. Não pretende ensinar, convencer ou explicar — apenas partilhar estados de consciência, imagens e sentimentos que pediram forma. Quem lê é convidado a caminhar sem pressa, respeitando o tempo dos textos e o seu próprio. Algumas palavras são sementes, outras são espelhos. Cada leitura encontrará o que estiver pronta para encontrar."

REFLEXÃO

"Ao permanecer, iluminei. Não para salvar, não para provar, não para ser menos. Iluminei para seguir inteira." Claudia Loureiro

31 janeiro, 2024

BEIJA-FLOR (Cacau Loureiro)

 

Meu coração partiu do antiquado como as areias ao

bel prazer das borrascas, assim, como nos desertos,

devemos ficar o ciclo necessário... pois, escaldantes

dias, friorentas noites.

O tempo e o vento avelhantados, mortos, desbotados...

E eu divisei uma brilhante estrela num céu de negrume

intenso e de ferozes tempestades... e assim a luzidia eu

segui, porque facho de luz é a esperança... a de que

merecemos o melhor que há na Terra, porquanto, nos

ligamos ao sagrado com a força da renovação em coragem

para encarar o real que somos ou queremos nos tornar.

Lá onde a brisa dos novos sonhos resolveu refrescar,

eu abri as janelas do seu olhar... e o alísio me lançou as

toadas dos grandes enlaces, das doces melodias que

refazem os espíritos combalidos em nobres amores.

Lanço fitas no ar, faz-se canção em meus ouvidos,

há ritmo em meus pés e rimas em meu coração.

Entre os coloridos das saias rodadas onde te danço em

promessas e nas curvas do teu corpo, eu descortinei tua

alma vasta, honesta, colorida, bela.

Nesta cantiga de roda eu bailo na ciranda da rosa vermelha,

também, nas das flores amarelas onde o teu sorriso é cravo

branco que bem me cheira a bem-me-quer... Vem beija-flor!

dá-me um beijo que eu te entrelaço em meu abraço!...

 

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