SOBRE ESTE ESPAÇO

LÍRICOS OLHARES

LÍRICOS OLHARES é um espaço dedicado à poesia, à palavra e ao pensamento. Um lugar onde sentimentos, memórias, experiências e reflexões encontram na escrita uma forma de expressão e permanência.

Criado como um encontro entre a sensibilidade e a observação da vida, o blog reúne poemas e textos que percorrem os caminhos do humano: seus afetos, inquietações, descobertas, ausências, encontros e transformações.

Aqui, a palavra não é apenas escrita; é presença, diálogo e possibilidade de olhar para dentro e para fora. Cada texto nasce do desejo de compreender a complexidade da existência e de transformar vivências em versos, narrativas e reflexões.

Líricos Olhares é um convite à pausa em meio à pressa cotidiana. Um espaço para quem acredita que a poesia ainda tem o poder de tocar, despertar sentidos e criar pontes entre histórias diferentes.

Entre palavras, silêncios e pensamentos, este blog permanece como uma travessia pela delicadeza da vida e pela infinita riqueza da experiência humana.

REFLEXÃO

"Ao permanecer, iluminei.
Não para salvar, não para provar,
não para ser menos.
Iluminei para seguir inteira."

Claudia Loureiro

14 dezembro, 2023

CRISTAIS (Cacau Loureiro)


Teus olhos de cristal são águas vivas que 

me inflamam o coração já convertido em 

labaredas... fogueira acesa em corpos nus... 

Preciso beber a saliva morna que corre em

teus lábios adocicados por este amor que

me é lenitivo, unguento de consolo em tua

cama quente... Ah! Esse teu calor que cura!

Vem no vento da primavera as pétalas do

teu sorriso... branco como as nuvens deste

céu que vejo límpido, mas, os teus matizes

dão refinamento a estas auroras luminosas

que me trazem o sol do teu firmamento de 

ternura em direção às minhas mãos... à minha

alma sequiosa de ti... Meus lábios ligados à

imantação do teu abraço, são como rios de

doçura a buscar tuas sutilezas, meandros

de prazeres e ousadia...

Há fogo refinado em tuas pupilas acordadas, 

tochas a incendiar a minha insana vida e os

meus dias abrasados por ti... vias marginais

do desejo onde viajo em estradas de curvas

perigosas, enfrento subidas, descidas...

ladeiras íngremes...

Tempo não há para arrostar o teu abrasamento,

consumindo as cinzas e as horas mortas num

avivamento ardoroso de cores em cristais de

rara transparência!

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