LÍRICOS OLHARES

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"O que verdadeiramente somos é aquilo que o impossível cria em nós." (Clarice Lispector)

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"Por mais que se mantêm em consideração as circunstâncias do tempo, do lugar, do gênio do povo, dos seus conhecimentos, de suas inclinações, falham os cálculos, desmoronam-se os edifícios, inutilizam-se os trabalhos e só se colhe o conhecimento de que não se acertou e que o coração do homem é um abismo insondável, e um mistério que se não pode entender". (Frei Caneca)




21 de setembro de 2009

PRIMAVERA


Esta brisa que sopra neste começo
de tarde, faz-me doer até os ossos.
É a lembrança que me faz doer o
peito, faz-me tiritar em calafrios.
Fixo os meus olhos na névoa triste,
tentativa frustrada de ver-te ao longe.
Meu ser em desafio persegue-te
em recordações.
Sigo neste afã para que não
fujas de minha memória, posto
que já te tenho em meu coração.
És lício para todos os meus males,
és o vício de todos os meus dias...
Necessito redesenhar-te como uma
escultura entre os meus dedos,
preciso te ver, preciso te ter. Mais
do que palavras, as quais escrevo,
gostaria de compor uma canção,
que falasse de tardes frias, mas,
primaveris, de névoa triste, mas,
de ser feliz... talvez, não conseguisse
canta-la, com certeza, recita-la... e
reescreveria com meus dedos, minhas
mãos, meus lábios, toda a poesia dos
teus traços... matizaria tua face, alegraria
meu espírito, por um instante apenas que
eu te fitasse. Contudo, guardo em meu
coração a primavera desarraigada pela
tua ausência, cultivo em algum recôndito
do meu ser a voz da tua inocência; uma
vontade louca, a própria indecência, de
embalar-te nos meus versos, de apertar-te
em meus braços...
Primavera e uma canção...

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