SOBRE ESTE ESPAÇO

"Este espaço reúne textos escritos ao longo dos anos, todos datados conforme o tempo em que nasceram. Não foram revisitados para correções de sentido ou intenção, pois cada palavra guarda a atmosfera emocional, espiritual e humana do seu próprio momento. O que aqui se apresenta não é uma narrativa linear, tampouco uma versão definitiva de quem escreve. É um percurso. Um registro sensível de atravessamentos, amadurecimentos, silêncios, afetos e travessias. A escrita que habita este lugar nasce do encontro entre poesia, espiritualidade e experiência vivida. Não pretende ensinar, convencer ou explicar — apenas partilhar estados de consciência, imagens e sentimentos que pediram forma. Quem lê é convidado a caminhar sem pressa, respeitando o tempo dos textos e o seu próprio. Algumas palavras são sementes, outras são espelhos. Cada leitura encontrará o que estiver pronta para encontrar."

REFLEXÃO

"Ao permanecer, iluminei. Não para salvar, não para provar, não para ser menos. Iluminei para seguir inteira." Claudia Loureiro

05 fevereiro, 2010

VÃO (Cacau Loureiro)

No espelho em que me olho ele não me
reflete, por que o verbo de alguns não me
chega ao coração, não me toca a alma?
Não dá para encarar a fraqueza de frente,
pois que o mundo não foi feito para os
parcos de recursos. Eu continuo assistindo
ao espetáculo dos medíocres, e sei que
nada deles está em mim, pois nada de mim
lhes pertence.
A vida é uma corrente em que os elos
idênticos tem valores diferentes, desiguais.
Os indiferentes ferem mais do que o gume
da afiada faca.
Uma oportunidade perdida é como colocar
de ponta a cabeça o relógio do tempo, a
engrenagem da vida, posto que o tempo e
a vida não são máquinas onde se conserte
mecanismos emperrados.
Defrontar-se com a fera sem garras é
frustrante, eu prefiro a dança com lobos.
Remoer palavras destituídas de verdade é
sangrar a alma à exaustão.
Eu não temo a sombra de pessoas inócuas,
temo os homens mortos em vida, temo a
vida destituída de intenção.
Aprendi a respeitar as escolhas, jamais
desistir do combate, e neste campo em que
batalho somente gente decepção!
Chego ao ápice da minha indignação...
Eu não nasci para conter as palavras, não
nasci para limitar minha força, não nasci
para estagnar minha vida, não nasci para
assistir a marcha do mundo e correr para
trás, não nasci para viver impunemente,
não vim ao mundo como expectador.
Eu queria ser capaz de sentir pena, ódio,
até mesmo a pura repulsa, mas, nada me
movimenta o espírito neste instante, vivo
uma plácida agitação de “nadas”.
O passado fechou-se num túnel longínquo,
o presente é uma folha seca ao vento...
Dentro de mim o alento de encontrar algo
pulsante, colorido, cheio de vida e de calor.
Tenho aversão aos seres sem têmpera,
tenho ojeriza a pessoas mornas, tenho
horror aos que se prendem às almas baratas,
não suporto gente que pinta suas vidas com
tintas acinzentadas!...

3 comentários:

  1. Que profundo Cacau!!! Este sentimento que você coloca nestas palavras os tenho também... às vezes a gente meio que desanima com as coisas deste mundo...mas precisamos aceitá-las, tentar compreender que aqui é um lugar com pessoas com diferentes graus de "maturidade" e ainda que muitas vezes não nos agrade...sem dúvida nos ensina. Beijos querida...

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  2. Hi lady Claudia
    as suas fotos
    poema
    Eu uso
    Se voc
    Vocês permitem

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