SOBRE ESTE ESPAÇO

LÍRICOS OLHARES

LÍRICOS OLHARES é um espaço dedicado à poesia, à palavra e ao pensamento. Um lugar onde sentimentos, memórias, experiências e reflexões encontram na escrita uma forma de expressão e permanência.

Criado como um encontro entre a sensibilidade e a observação da vida, o blog reúne poemas e textos que percorrem os caminhos do humano: seus afetos, inquietações, descobertas, ausências, encontros e transformações.

Aqui, a palavra não é apenas escrita; é presença, diálogo e possibilidade de olhar para dentro e para fora. Cada texto nasce do desejo de compreender a complexidade da existência e de transformar vivências em versos, narrativas e reflexões.

Líricos Olhares é um convite à pausa em meio à pressa cotidiana. Um espaço para quem acredita que a poesia ainda tem o poder de tocar, despertar sentidos e criar pontes entre histórias diferentes.

Entre palavras, silêncios e pensamentos, este blog permanece como uma travessia pela delicadeza da vida e pela infinita riqueza da experiência humana.

REFLEXÃO

"Ao permanecer, iluminei.
Não para salvar, não para provar,
não para ser menos.
Iluminei para seguir inteira."

Claudia Loureiro

21 fevereiro, 2010

CUNHÃ-PORÃ (Cacau Loureiro)


Vi-te do mar...
Teus femininos contornos fascinaram-me,
vestida estavas em um verde longo e profundo,
secular.
Espraiadas tuas graciosas pernas aguçaram-me o
desejo em te desbravar, teu busto exuberante
desabrochado para o sol enfunou-me o âmago
de vontades...
Morena que me afoga num pranto de capricho e
de quereres num malmequer de flores rubras que
me divide a alma em dueto...
Itanhantã e Poranga em deífico bailado.
O poeta escreve o teu hino com malícia, o pintor
enfeita as tuas saias com preguiça...
Bebo em teu dorso as águas dos coqueirais que me
refrigeram a alma sequiosa.
No céu em que libertas as tuas gaivotas eu também
quero voar!...
Jogo moedas sobre a pedra, enamorado, apresso o
nosso encontro...
Sob a sombra do baobá, eu sonho saber teu nome,
será Maria?
Sou nativo, sou cativo hora em que a noite desce como
véu dourado em tuas grossas ancas e acende em meu
peito um eterno farol.
Vi-te morena na varanda do chalé a pentear os
cabelos qual lambrequins que transformaram o meu
coração romântico em gruta de mil amores.
Porém, preciso partir na barca da esperança...
Deixo-te...
O terral estremece-me, pousa em meu ombro a
garça cinzenta da tristeza, verto lágrimas prateadas
ao atravessar a ponte da saudade...
Mas, sei, voltarei nas ondas pungentes que perpassam
o meu peito para adormecer novamente em teus braços,
Paquetá...

3 comentários:

  1. Que lindo amiga... Paquetá deve ser linda mesmo...quem sabe um dia eu venha a conhecê-la...e ver de perto toda a beleza deste paraíso. Que foto mais linda...dá vontade de ficar na sombra daquela árvore vendo o mar...
    Beijos...

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