LÍRICOS OLHARES

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“Seja qual for o país, capitalista ou socialista, o homem foi em todo o lado arrasado pela tecnologia, alienado do seu próprio trabalho, feito prisioneiro, forçado a um estado de estupidez.” (Simone de Beauvoir)





1 de fevereiro de 2010

O QUE OS OUTROS PENSAM (Sílvia Campos)


A quem agradar? E, por que agradar?
É correto entregar aos alheios a nossa felicidade?
É correto entregar aos alheios a nossa vontade?
Será que o “EU” deve ser submetido a “eles”?
A opinião alheia, que quer ser tirana e maldosa, não é “nós, mas” Eles “perversos e conscientes; é crime hediondo porque no ato de interceptar realizações, atinge a alma; não dá chance de defesa.
Submeter-se ao que os outros pensam pode ser a diferença entre ser feliz e infeliz; entre ter sucesso ou ser fracassado, entre explodir de felicidade na verdade bela do querer pessoal e curvar-se “”a vontade tirana de quem nem sabe quem você é, não quer saber e tão pouco se preocupa com você.
O outro merece de você respeito não merece ter poder sobre sua vida; o outro merece de você atenção humana, mas não merece de você postura indecisa e medrosa, impedindo-lhe de ser livre e senhor dos seus sonhos.
Respeitar os limites do “Eu” no espaço do “Nós” não é a mesma coisa que deixar entranhar na sua alma a vontade soberana do outro.
A vontade do outro pode querer que tudo dê errado em sua vida para satisfazer o ego despreparado, infeliz, mergulhado na acidez da inveja, do ódio e da maldade; a vontade do outro pode está em prontidão exemplar para alvejar mortalmente sonhos, vontades, desejos e extravagâncias gloriosas do entusiasmo pela vida. Resistir a esse componente atroz, aceito pela sociedade dos hipócritas é elevar a existência a patamares de felicidade exuberantes; é bater recordes olímpicos de alegrias, é subir pódios de realizações: é ter coragem de transformar corajosamente em realidade, aquilo que alheios sabiam ser bom para você e que impiedosamente se esforçam para impedir que aconteça.
Subestimar a capacidade destruidora do outro é ter uma visão ingênua do poder de malícia inserido na arte de intrometer-se para destruir.
É preciso ter percepção clara desse jogo de sedução e de maquinação afiados que se esgueiram, penetram e caminham a passos largos e confiantes, no firme propósito de fragilizar vontades.
A arte de conhecer o “outro destruidor” revela-se na capacidade de perceber no “elogio glorioso” uma forma de manter a vítima inerte e desarmada ou naquele alerta que quer parecer uma recomendação ou conselho cuidadosos para, assim, aniquilar o entusiasmo e o vigor manifestados.
Há várias classificações do “outro destruidor”; os níveis de performance variam do grosseiro, mal-educado e inconveniente, até o requintado, eloqüente, aparência de caridoso e altruísta, com alta preparação para infundir opiniões e desestruturar realizações; do ato grosseiro ao ato requintado surgem farpas afiadas, ambas atiradas com força e capacidade para atingir o alvo: o centro da sua vida ou a periferia das suas vontades que se revelam em inúmeros e valiosos pequenos sonhos que irão se somar para gerar felicidade.
Cada um de nós deve ter o claro conhecimento de si mesmo: do que quer construir, do que quer terminar, do que quer começar ou recomeçar. Esse discernimento do conteúdo e da dimensão da natureza individual, essa clarificação de ideais e de missão de vida fortalecem a nossa capacidade de nos tornarmos senhores de nossos destinos. Somente dessa forma, é possível neutralizar uma postura de marionete ou de joguete da vontade traiçoeira do outro. Não estou a dizer que devemos nos “prevenir” ou nos “armar” contra os outros; nem que devemos deixar de ouvir argumentos sábios, mas sugerindo que nos fortaleçamos enquanto pessoa que quer e vai à luta, que sonha e realiza.
Sábia decisão, permitir a você escolher;
Frágil compromisso consigo mesmo, permitir que escolham por você.
Que história você quer construir? A sua ou a que os outros querem para você?
Cada pessoa deve ser protagonista da sua vida. É a diferença entre ter uma história de vida autêntica, com altos e baixos ou promover uma grande encenação existencial.
Fracassos e conquistas são produtos de uma vida humana.
Viva! Lapide a sua existência pelos ideais de um compromisso com a felicidade, sem se preocupar que ela seja de um dia, um mês, uma vida.

*Sílvia Campos é Mestre em Administração, Especialista em Gestão Pública, Professora Universitária, Facilitadora, Consultora e Assistente Social

Um comentário:

ValériaC disse...

Cacau querida, excelente texto por você escolhido... um alerta, não no sentido defensivo, mas sim de que sempre devemos nos lembrar que somos únicos, livres e responsáveis por toda e qualquer escolha em nossas vidas. Sempre penso que errar por decisões que nós tivemos é válido como aprendizagem de vida...triste é se deixar levar pelo arbítrio que não seja o nosso próprio. É claro que no convívio podemos acolher alguns conselhos sábios, mas a decisão final deve ser sempre nossa, até porque nós é quem colheremos os frutos de nossas decisões. Beijos amiga...