SOBRE ESTE ESPAÇO

"Este espaço reúne textos escritos ao longo dos anos, todos datados conforme o tempo em que nasceram. Não foram revisitados para correções de sentido ou intenção, pois cada palavra guarda a atmosfera emocional, espiritual e humana do seu próprio momento. O que aqui se apresenta não é uma narrativa linear, tampouco uma versão definitiva de quem escreve. É um percurso. Um registro sensível de atravessamentos, amadurecimentos, silêncios, afetos e travessias. A escrita que habita este lugar nasce do encontro entre poesia, espiritualidade e experiência vivida. Não pretende ensinar, convencer ou explicar — apenas partilhar estados de consciência, imagens e sentimentos que pediram forma. Quem lê é convidado a caminhar sem pressa, respeitando o tempo dos textos e o seu próprio. Algumas palavras são sementes, outras são espelhos. Cada leitura encontrará o que estiver pronta para encontrar."

REFLEXÃO

"Ao permanecer, iluminei. Não para salvar, não para provar, não para ser menos. Iluminei para seguir inteira." Claudia Loureiro

23 dezembro, 2009

EDIFICAR (Cacau Loureiro)

Nós muitas das vezes em finais de ano nos pegamos fazendo uma reflexão sobre o que fomos capazes de fazer pelos outros e o que os outros foram capazes de fazer por nós em 365 dias. Inevitavelmente fazemos estas reflexões. E sabemos lá no fundo de nossos corações que poderíamos ter feito mais. Eu que venho num ritmo de muitas mudanças em minha vida nestes últimos anos, confesso que passei muitas frustrações, tristezas, fiquei muitas e muitas vezes com aquele sentimento de incapacidade, de querer veementemente muitas coisas e por muitos motivos as coisas não acontecerem, principalmente quando as coisas para acontecerem não dependerem somente de nós. Enfim, sei que vivemos em sociedade e devemos nela interagir de forma positiva e abrangente, contudo, o nosso trilhar espiritual depende só de nós. Neste mundo em que a maioria prega o direito a individualidade e a privacidade nós vamos seguindo mesmo os caminhos do egoísmo que na verdade é a nossa ferida e o nosso ponto fraco.
Respeito muito as correntes idealistas que passam pelo caminho da humanidade, portanto aqui expresso também minha opinião sobre ela (a humanidade). Sou uma observadora minuciosa das pessoas e de suas falas, embora eu seja extremamente agitada e falante, nada, mas, nada mesmo passa ao meu crivo sem uma profunda análise. Já fui acusada de ser dona da verdade, pelo menos eu tenho certeza que cada um é dono da sua, eis a autêntica verdade da vida. Sou mulher de colocar o dedo em riste quando luto por algo que acho justo e nunca me arrependi de minhas lutas e, incorrigível sei que travarei ainda muitas batalhas. Penso que minha consciência está limpa, pois que bati em todas as portas, lutei todas as brigas, entrei em todas as raias e jamais o que pleiteei ou quis ficou guardado no silêncio da covardia ou na omissão da falta de responsabilidade. Penso também que o direito do outro termina onde o meu começa, e assim será “ad aeternum”.
Testemunhei a mediocridade de muito perto, a omissão na própria carne, falsas promessas ecoaram em meus ouvidos como nunca, risos, e eu rio disso porque aquilo que de fato não me matou, me fez crescer. Dizem que os iguais se atraem, mas que os diferentes em algum momento se encontram, ah, se encontram, porém passam, não permanecem, porque simplesmente não contribuem, são ocos, vazios, vivem de nadas, de futilidades e superficialidades. Fazer a vida fluir, acontecer é o que importa e nós temos a obrigação de sermos parte operante e integrante dela, da vida!...
Quero muito ouvir os discursos dos homens, mas somente depois das coisas concretizadas, na verdade, os discursos tem que ser a posteriori, quando as promessas já foram cumpridas, quando os caracteres já foram mostrados, quando as máscaras já foram tiradas, quando os valores já foram aplicados.

Edificar, sim esta é a palavra, viemos ao mundo para edificar o que temos de melhor, pois que somos criaturas com canal direto com a divindade, e rezar, orar, fazer prece só não adianta, precisamos sim, agir para nos edificarmos e em nos edificando edificarmos o outro. Nós que já passamos dos quarenta sabemos que já almejamos tantas coisas e por muitos motivos adiamos, desistimos, mudamos de rumo porque em algum momento a nossa edificação como “seres humanos” é mais importante. As pessoas gostam muito de medir a felicidade do outro e se esquecem de construí-la dentro de si mesmas e ao seu derredor. Eu não posso tomar para mim o que é do outro, tampouco dar ao outro o que eu tenho obrigação de desenvolver em mim.
Felicidade edificada é um bem que não tem preço, é viver cada dia como se fosse o primeiro, com entusiasmo de uma criança e sabedoria de um idoso. Eu tento e você tenta?!

3 comentários:

  1. Nossa Cacau e como tento!!!
    e desejo a voce em 2010 cada vez mais felicidade edificada!
    bjosss no coracao
    ta linda a foto, muito astral,passa serenidade!

    ResponderExcluir
  2. Tenho dias Cacau, tenho dias...
    Beijos e um dia feliz !

    ResponderExcluir
  3. Meu eu blog é espetacular, show, not°10 desejo muito sucesso em sua caminhada e objetivo no seu Hiper blog e um feliz ano de 2010
    UM grande abraço r tudo de bom
    Ass:Rodrigo
    http://maximumforma.blogspot.com/

    ResponderExcluir

Este é um espaço de criação e partilha literária.
Comentários são acolhidos quando dialogam com o texto e com a experiência de leitura.

Todas as mensagens passam por mediação.
Conteúdos de natureza pessoal ou relativos à vida privada não são publicados aqui — para preservar a delicadeza entre obra e intimidade.

Para contato direto: 📩 [claudia.loureiro@live.com]

Gratidão pela leitura sensível.