SOBRE ESTE ESPAÇO

"Este espaço reúne textos escritos ao longo dos anos, todos datados conforme o tempo em que nasceram. Não foram revisitados para correções de sentido ou intenção, pois cada palavra guarda a atmosfera emocional, espiritual e humana do seu próprio momento. O que aqui se apresenta não é uma narrativa linear, tampouco uma versão definitiva de quem escreve. É um percurso. Um registro sensível de atravessamentos, amadurecimentos, silêncios, afetos e travessias. A escrita que habita este lugar nasce do encontro entre poesia, espiritualidade e experiência vivida. Não pretende ensinar, convencer ou explicar — apenas partilhar estados de consciência, imagens e sentimentos que pediram forma. Quem lê é convidado a caminhar sem pressa, respeitando o tempo dos textos e o seu próprio. Algumas palavras são sementes, outras são espelhos. Cada leitura encontrará o que estiver pronta para encontrar."

REFLEXÃO

"Ao permanecer, iluminei. Não para salvar, não para provar, não para ser menos. Iluminei para seguir inteira." Claudia Loureiro

09 julho, 2009

ENTRE ASPAS (Cacau Loureiro)


Queria chorar...
Deveria chorar todas as lágrimas,
todavia, não há no peito água suficiente
para me limpar a alma...
Há uma inquietante calma
atravessando-me o peito e a mente.
Na mudez de quem se desespera
não há continuidade,
tampouco, há a espera...
Revolvo as rimas, arrumo as letras,
removo as marcas, tudo, tudo,
entre dentes e parêntesis.
Eu, dolorosamente, lavo a cara.
Contudo as cicatrizes, permanentes...
A vida faz-se verso...
Em adormecidos amplexos,
em beijos repousados, em desejos reservados,
em reprimidos gritos, em conceitos repensados.
Mas, amor é amor... Sublime, crucificado...
Nos tempos primitivos, na mais moderna era,
No futuro ilegítimo.
Amor, silêncio e suplício...
Impulsos entre farpas, faíscas e muitas lascas.
Amor indomado, selvagem, irrefreado...
Amor para sempre!...
E sempre entre aspas.