LÍRICOS OLHARES

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"O que verdadeiramente somos é aquilo que o impossível cria em nós." (Clarice Lispector)

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"Por mais que se mantêm em consideração as circunstâncias do tempo, do lugar, do gênio do povo, dos seus conhecimentos, de suas inclinações, falham os cálculos, desmoronam-se os edifícios, inutilizam-se os trabalhos e só se colhe o conhecimento de que não se acertou e que o coração do homem é um abismo insondável, e um mistério que se não pode entender". (Frei Caneca)




29 de março de 2010

MALBARATO (Cacau Loureiro)


Na hora aguda quando se fez imprescindível a escolha,
a voz emudeceu. Não houve a sustentação do olhar e a
omissão pesou sobre a cabeça do parco; não é lutador
aquele que dobra a espinha para a derrota antes da batalha.
Ganha-se uma peleja com ossos e músculos, indispensável
a tenaz vontade.
Não respeito os que entram na arena da vida para
obterem meia vitória, pois que aprendi dignidade e
confiança ainda no ventre de minha mãe.
Dentre todas as bandeiras, eu estendo a da verdade,
dentre todos os escudos eu amparo-me na esperança.
Causa-me espanto os derrotados de plantão, os
miseráveis de instinto, porque pautam suas existências

no que sobra dos covardes, na sombra da submissão.
Para aquele que nunca expressou a disposição para o

brado da valentia eu ordeno o silêncio.
A paz, nós sabemos, só a tem aquele que verdadeiramente
litigou. Não tem minha deferência aquele que se debateu
no fosso das incoerências, onde os espíritos
asquerosos
fincam suas raízes e adormecem "ad aeternum".
Os louros que eu busco não estão nas mãos alheias,
pois que jamais chamei à raia um fraco, não há

justificativa quando vencemos um indolente.
O mundo está cheio de idealistas estáticos, acorrentados

por seus próprios grilhões de medo, desfalecidos no
desprezo e na indiferença que causam ao mundo.
Num relance eu trago à tona todo o passado, reviso os

fatos, não vejo os rastros dos companheiros, o vento e a
poeira deram-me as mãos, contudo não carrego os ecos
do remoto tempo e nem os remorsos dos que nada fizeram,
estou inteira, absoluta e absolvida.
Jamais edificarei meus sonhos na lama dos inconfessos,
tampouco semeio no lodo dos renegados.
Eu aprendi a ter caráter no seio de minha geratriz, porque
ali nutri minha alma não o meu corpo.
A luta não me ensinou a ser sábia, fez-me valente, pois o

sangue dos inocentes fez-me humana, não impassível.
A flecha que me atravessa o peito faz-me digna de minha

história, não mais me dói. Estou aquém dos deuses e muito
além dos homens e das criaturas arrancadas donde não sei.
Os gritos que ouvi empunhando a minha espada não eram dos

inimigos cruéis, eram os meus...
Para aquele que me viu ser atraiçoada e não me defendeu eu

deixo a suprema lei e a minha repulsa silenciosa.

5 comentários:

serpai disse...

E un día mas de recorrer blogs interesantes, hoy paso por el tuyo que esta lindo...!!!
Ya me agradaría a mí que, si pasas por el mío, que también se escribe en portugués, te suceda lo mismo...!!!
Pero cualquiera que sea la impresión... siempre habrá una bienvenida para tí!!!

Sergio

ValériaC disse...

Cacau amiga, muito lindo o que você escreveu.
Coragem é preciso...para enfrentar a vida de frente...pra isso que estamos aqui.
Tenha uma linda semana...
Beijos...

Adh2bs disse...

Boa tarde...!
Luta desigual. Uma verdadeira guerreira brandindo suas razões nas caras dos covardes.
Gde abç,
Adh2bs

C@urosa disse...

Olá minha cara amiga Cacau Loureiro, que texto reflexivo, esse é o bom combate, às vezes, não queremos, porém, é desafio, e somos lutadores e humanos...

Paz e hamonia,

forte abraço

C@urosa

Cris Poulain disse...

Cacau ganhei um selo do blog da IMPULSIVA,mas não coloquei no meu blog,porque não sei vomo fazer!
estou esperando minha amiga me ensinar...
DAREI para ti e mais três blogs,ok?
Quanto a postagem,o que me choca neste mundo de vaidades,é OMISSÃO!!
parabéns por seres atuante,transformadora oficial do nosso mundo.
beijos da Cris!!!