SOBRE ESTE ESPAÇO

LÍRICOS OLHARES

LÍRICOS OLHARES é um espaço dedicado à poesia, à palavra e ao pensamento. Um lugar onde sentimentos, memórias, experiências e reflexões encontram na escrita uma forma de expressão e permanência.

Criado como um encontro entre a sensibilidade e a observação da vida, o blog reúne poemas e textos que percorrem os caminhos do humano: seus afetos, inquietações, descobertas, ausências, encontros e transformações.

Aqui, a palavra não é apenas escrita; é presença, diálogo e possibilidade de olhar para dentro e para fora. Cada texto nasce do desejo de compreender a complexidade da existência e de transformar vivências em versos, narrativas e reflexões.

Líricos Olhares é um convite à pausa em meio à pressa cotidiana. Um espaço para quem acredita que a poesia ainda tem o poder de tocar, despertar sentidos e criar pontes entre histórias diferentes.

Entre palavras, silêncios e pensamentos, este blog permanece como uma travessia pela delicadeza da vida e pela infinita riqueza da experiência humana.

REFLEXÃO

"Ao permanecer, iluminei.
Não para salvar, não para provar,
não para ser menos.
Iluminei para seguir inteira."

Claudia Loureiro

10 março, 2011

BASTO (Cacau Loureiro)


Temporal fecundo banhando-me em melodias de

afeto, encharcando-me a alma deveras encantada;

frescor aquoso que frutifica o meu sorriso e traz

profusão às minhas horas mortas.

Como não dançar na chuva, como não cantar

as odes que me tomam e ocupam-me os dias

estacionários, meus pensamentos vazios?!

Como abastado córrego deixo fluir as tuas correntes

generosas, tesas águas onde mergulho sem receio

o meu apreço, tantas quimeras.

Sede que me mata em avidez e faz vir à tona

esta vontade de beber em teus lábios, de imergir

em tua boca e diluir-me em teu corpo.

Substância visceral a espargir-se por meus poros,

a ocupar-me em ambíguas sensações.

Capricho que me abraça e abarca sensibilidades

e delírios.

Paixão torrencial, nascente de desejos, cristalino

vício, águas de março a afluírem em meu peito!...

06 março, 2011

REPTO (Cacau Loureiro)


Há luzes a bailarem em derredor...

farol de ternura...

Finos laços vigorosos a amarrarem

meu indomável estro.

Ao mar a canção terna a compor-se em

meus ouvidos, a adentrar minha alma.

Onde fantasiei encantar, encantei-me.

Há uma lira singela a permear os meus

versos, há um vento matreiro a balouçar

meus cabelos.

Viração da vida a enfunar minhas velas

a um imenso oceano de apegos.

Lanço ao horizonte meu olhar, não há

limites para as rotas dos desejos!...

Aragem que aspiro pela boca e que saboreio

pelos poros... Viagem em perfumes, aromas,

buquês, olhos, paladares, lábios, papilas...

Todos os estímulos?!... Navegar em ti!...

05 março, 2011

GÉIA (Cacau Loureiro)

Estrela da manhã que eterniza todas as ensolaradas
alvoradas...
Chuva de afeto a restaurar vidas esfaceladas...
Vésper que anuncia a transformação pelo elevado
amor, fogo eterno a queimar as cinzas dos homens
e a calcinar as dores da Terra.
Luz que relampeja nos confins da esfera
divina e ilumina os profetas, ária melodiosa
que desperta os sábios para os acordes do céu.
Flor perfumada que inspira os deuses a criarem
Gaias em paraísos de sonhos.
No olhar todos os mistérios não o ocultos aos
videntes, todos os versos a apaixonar os aedos,
todas as rimas a reavivarem Titãs.
Diamante raro, negra pérola, amor de mar a mar,
Mãe, Fêmea, Deusa, Ninfa, Mulher, Egéria!...

04 março, 2011

VAZÃO (Cacau Loureiro)


Eu escondo o meu estro insurreto dos
flashes do mundo sob pedras pesadas...
Há um ranço de tristeza permeando os
verbos que regem a vida das palavras.
A morbidez dos ritmos impera na toante
da existência que passa apressada.
Ao longe uma canção maviosa e solitária
dos pássaros que ficaram para trás no
inverno das almas condenadas.
No ocaso acinzentado há nuvens que anunciam
as sombras da noite em métricas assustadas.
As manhãs me chegam num tempo que se
prolonga em meu peito e o faz arder, e o faz
padecer, e o faz expiar em copiosas lágrimas.
Há uma nova aurora perdida no labirinto dos
sonhos, há as estrelas que já não consigo
avistar entre as elevadas vagas... e há as
areias que estão a voar com o vento e fazem
o meu tempo escorrer pelas mãos...

20 fevereiro, 2011

CALIGINOSO (Cacau Loureiro)


Mil verões adormecem em meu peito...

Pois que um vento forte invadiu minha estação

quente, e doravante sigo o caminho morno de

quem espera.

Nuvens ajuntam-se tenebrosas prometendo

temporais que varrerão o tempo passado, porque

só a vida me é presente.

A marcha das represadas lágrimas não há como

conter, então, eu deixo vazar as angústias,

professo em outras esferas.

Caminhos de pedras movem-se ante as águas,

não há o que permaneça incólume perante

a força da mudança iminente.

Meus versos propagam-se em silêncios

dolorosos, ecoam em noites solitárias, não

têm rima, e, no entanto, melancolicamente

ritmados estão por vazias alvoradas.

Ante o tempo nada é permanente, assim

como nenhuma noite é eterna...

16 fevereiro, 2011

SOMMELIER (Cacau Loureiro)


As frutas trazem acidez à minha
boca, na mesclagem das dores
vislumbro minha maturação.
Vejo-me aprendiz num mundo
onde professores são escassos,
aromas diversos na arte de viver.
Se todos partilhassem em espírito,
é cruel, mas o se não existe.
Para que adiar a magia do momento?
Como espuma branca ela pode se
diluir no ar.
Degusto a tristeza, a alegria, mas,
nada, nada impedirá que eu sorria.
Em vivaz embriaguez, tomo-te rosto,
mãos... lábios... tez...
Sinto o gosto do que jamais provei!
Mesolagem cutânea, sabor frutado
e furtado em acidez.
Meu corpo é bolha flutuante, o que
traz legitimidade ao meu coração.
Bebo-te em meu cálice na síndrome da minha libação.

06 fevereiro, 2011

SOANTE (Cacau Loureiro)

Há um caminho florido para os que precisam de amor, para

os que sabem amar... Como o sol se levanta todos os dias eu

lanço sementes nos jardins dos homens nus, na seara dos

corações simples, no recôndito das almas boas.

Sempre quis cantar esta canção que se forma agora em

meu peito, hoje eu canto sem o peso do passado, sem as

lembranças que feriram, porque sei que há sempre um sinal

luminoso no ocaso das despedidas que ilumina um novo

amanhã para aquele que dá o seu coração como dádiva.

Assim como asas, os sentimentos também voam intentando o

céu, este firmamento de todos nós feito ainda de orgulho e egoísmo.

Mas, as pedras têm seu tempo de passagem e de permanência

no caminho.

Minha estrada é feita de lírios e de sons que só o meu coração

sabe perceber, quisera eu a partir de agora repartir a sonata que

me empolga e entusiasma para a vida...

Que os sinos desta canção que me move hoje possam acordar os

corações daqueles que adormeceram ante as decepções do mundo!...


04 fevereiro, 2011

JUSTIÇA, FOGO CONSUMIDOR (Cacau Loureiro)


Há no coração do ser humano a centelha da fé,
bem aventurado é aquele que crê sem precisar ver.
Contudo, a justiça do Homem estagnou-se, vendeu-se
por parcas moedas.
Onde estarão os verdadeiros homens de bem, pois
que não ouço mais suas vozes clamando pela
conformidade do que é direito?!
Os bons de coração enxergam, sabem que em breve
chegará o tempo da regeneração de todas as coisas.
Advirá pelas mãos do Justo o fogo consumidor e tornará
as coisas retas, os sentimentos puros, fará cair todas
as máscaras. Não há mais como assistir este espetáculo
de desmandos e corrupção.
Temos sido omissos, e isto hoje, talvez, seja o nosso
maior pecado capital. Por que nos falta a coragem
para pleitearmos sem medo o que nos é de direito e
correto?! Porque não confiamos. Façamos nós a
transformação do interior para o exterior.
Para mudarmos a trajetória de nossa espécie é
preciso coragem de reconhecer nossos erros, e isto
será nosso resgate do abismo de “nadas” que criamos,
do vazio torpe no qual vivemos. Estamos de passagem
e vivenciamos ferozmente o materialismo exacerbado
de todas as eras. Mudemos nossas rotas, façamos
nossas orações, mas que não nos falte a ação contundente
da mudança.
O Mestre amado jamais deixou de ser corajoso e
negamos mais vezes o Cristo que o próprio discípulo
temeroso, abandonamos o Mestre no Jardim das Oliveiras
tantas vezes, quem de Vós vigiará com Ele?!
Permaneçamos com a espada na bainha, visto que o
sacrificado pregou o amor sobre todas as coisas, pois,
queres coragem maior do que amar sobremaneira?!
Mas, que a justiça do Pai Maior seja nosso eterno fogo
consumidor, o mesmo que faz arder em nós a essência divina.