SOBRE ESTE ESPAÇO

"Este espaço reúne textos escritos ao longo dos anos, todos datados conforme o tempo em que nasceram. Não foram revisitados para correções de sentido ou intenção, pois cada palavra guarda a atmosfera emocional, espiritual e humana do seu próprio momento. O que aqui se apresenta não é uma narrativa linear, tampouco uma versão definitiva de quem escreve. É um percurso. Um registro sensível de atravessamentos, amadurecimentos, silêncios, afetos e travessias. A escrita que habita este lugar nasce do encontro entre poesia, espiritualidade e experiência vivida. Não pretende ensinar, convencer ou explicar — apenas partilhar estados de consciência, imagens e sentimentos que pediram forma. Quem lê é convidado a caminhar sem pressa, respeitando o tempo dos textos e o seu próprio. Algumas palavras são sementes, outras são espelhos. Cada leitura encontrará o que estiver pronta para encontrar."

REFLEXÃO

"Ao permanecer, iluminei. Não para salvar, não para provar, não para ser menos. Iluminei para seguir inteira." Claudia Loureiro

10 março, 2011

BASTO (Cacau Loureiro)


Temporal fecundo banhando-me em melodias de

afeto, encharcando-me a alma deveras encantada;

frescor aquoso que frutifica o meu sorriso e traz

profusão às minhas horas mortas.

Como não dançar na chuva, como não cantar

as odes que me tomam e ocupam-me os dias

estacionários, meus pensamentos vazios?!

Como abastado córrego deixo fluir as tuas correntes

generosas, tesas águas onde mergulho sem receio

o meu apreço, tantas quimeras.

Sede que me mata em avidez e faz vir à tona

esta vontade de beber em teus lábios, de imergir

em tua boca e diluir-me em teu corpo.

Substância visceral a espargir-se por meus poros,

a ocupar-me em ambíguas sensações.

Capricho que me abraça e abarca sensibilidades

e delírios.

Paixão torrencial, nascente de desejos, cristalino

vício, águas de março a afluírem em meu peito!...

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